Centeno dá "dois a três anos" para haver "correção" da dívida e despesa públicas
17 de dez. de 2021, 13:15
— Lusa/AO Online
"Há uma
transição face àquilo que foi o esforço das Administrações Públicas [AP]
no período pandémico, em termos de dívida e de despesa que, na nossa
opinião, tem dois a três anos para ser concretizada", disse aos
jornalistas Mário Centeno, na conferência de imprensa de apresentação do
Boletim Económico de dezembro.O
governador considerou que isto implica "o retomar de uma trajetória de
endividamento sustentável", descendo para níveis de 2019 em 2024,
referindo que essa redução da dívida pública é uma "condição quase 'sine
qua non' para que a dívida pública portuguesa permaneça sustentável"."Para
que isto aconteça, envolve uma redução do peso da despesa permanente no
PIB face àquilo que foi a necessidade de dar resposta, pelas
Administrações Públicas, durante o período pandémico", em que houve uma
redução do produto e um aumento da despesa permanente, segundo Centeno."Temos um período de dois, três anos para fazer esta correção", disse o governador do BdP.Mário
Centeno também referiu a necessidade de "retomar a redução da carga
fiscal estrutural, que entre 2015 e 2020, de acordo com os resultados do
Banco de Portugal, ter-se-á reduzido 1,2 pontos percentuais"."Esta trajetória deve ser retomada nos próximos anos", assinalou.Mais
à frente na conferência de imprensa, Mário Centeno quis deixar claro
que o aumento da despesa em relação ao Produto Interno Bruto (PIB)
verificou-se "em grande medida" devido à quebra do produto."Quando
nós olhamos para estes indicadores numa perspetiva plurianual, devemos
entender que à medida que a economia recupera, estes indicadores devem
também, eles próprios, corrigir", sustentou."Seria,
a meu ver, errado, que fizéssemos crescer esta despesa, agora que o PIB
está a recuperar, ao mesmo ritmo que o PIB recupera. Precisamente
porque não a fizemos cair, e bem, quando o PIB caiu", explicou.