Censo de Garajaus conclui presença de 7.950 aves nidificantes nos Açores

2 de jul. de 2020, 12:13 — Lusa/AO Online

A informação foi avançada pelo diretor regional dos Assuntos do Mar, acrescentando que se "estimaram 3.347 casais de garajau-comum (Sterna hirundo), distribuídos por 167 colónias em todo o arquipélago, 630 casais de garajau-rosado (Sterna dougallii), distribuídos por 20 colónias em todas as ilhas, exceto em São Miguel, e um casal de garajau-de-dorso-preto (Onychoprion fuscatus) a nidificar no Ilhéu da Praia, na Graciosa". Este Censo foi coordenado pela Direção Regional dos Assuntos do Mar, em parceria com os Parques Naturais de Ilha e os Serviços de Ambiente.Estiveram envolvidos oito técnicos superiores, 30 vigilantes da natureza e quatro voluntários da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e do IOMA (Associação Asas do Mar - Instituto de Ornitologia dos Açores).De acordo com o diretor regional dos Assuntos do Mar, citado numa nota, comparativamente ao censo realizado em 2019, "os números deste ano “são bastante mais animadores” para o garajau-comum, dado que se registaram mais 1.061 casais, embora se tenha registado cerca de menos uma centena de casais de garajaus-rosados".“A tendência relativamente aos números de garajaus que nidificam nos Açores é considerada estável”, sublinha Filipe Porteiro, tendo em conta que “já que se tem verificado que estes números variam consideravelmente de ano para ano, em ambas as espécies”.O "único casal de garajau-de-dorso-preto foi, uma vez mais, observado no ilhéu da Praia da Graciosa, no entanto, não foi avistada nenhuma cria ou ovo no ninho”, adiantou, realçando o facto de, na ilha das Flores, onde se registaram mais de sete centenas de casais de garajaus-comuns, ter sido observado um garajau comum que “tinha sido anilhado há 15 anos nos Capelinhos, na ilha do Faial”. Segundo explicou, “a anilhagem permite saber mais sobre o ciclo de vida destas aves marinhas e perceber as dinâmicas relacionadas com as migrações que fazem todos os anos, além das escolhas que elas fazem em relação às ilhas onde nidificam”.O recenseamento pretende quantificar as populações das duas principais espécies de garajaus que nidificam na região, o garajau-comum e o garajau-rosado, duas aves classificadas internacionalmente e muito sensíveis às perturbações e pressões resultantes das atividades humanas e da predação de espécies predadoras não nativas.“A maioria” das colónias destas aves marinhas encontra-se localizada “em falésias, praias de calhau isoladas e ilhéus costeiros inacessíveis, e apenas algumas podem ser observadas à distância, via terrestre, através de binóculos e telescópio”, refere Filipe Porteiro.Realizado em todo o arquipélago, o censo envolve campanhas de mar, através de viagens de barco em torno da costa de todas as ilhas, “em que se estima o número de aves de cada colónia com recurso a uma buzina, que as faz levantar voo, permitindo a sua contagem”.Nas colónias em que a visitação é possível, procede-se à contabilização de ninhos e posturas de cada espécie.Esta monitorização permite estimar a população nidificante de garajaus comuns e rosados nos Açores e ainda o mapeamento da distribuição das múltiplas colónias que se estabelecem em todas as ilhas.Enquadrado na Diretiva Quadro Estratégia Marinha, o Censo dos Garajaus decorre anualmente, no âmbito do programa de monitorização de populações de aves marinhas dos Açores, MONIAVES, sendo que, desde 2016, o Governo dos Açores assumiu a coordenação deste recenseamento.