CDU reitera oposição à construção de incineradora em São Miguel
30 de set. de 2020, 08:24
— Lusa/AO Online
No balanço da visita que fez aos Açores, a
deputada do PEV na Assembleia da República Mariana Silva afirmou hoje,
em Ponta Delgada, que, em termos ambientais, não compensa “o facto de se
ter uma incineradora em São Miguel” quando “há uma na Terceira que pode
ser utilizada e que está subutilizada”, considerando que, “por isso, é
necessário repensar este projeto, num momento em que o prazo foi
prorrogado”.“A EDA [Eletricidade dos
Açores] não conta com a energia que possa sair da incineradora, foi-nos
dito ainda hoje de manhã, por isso, não faz qualquer sentido (…) a
construção de uma incineradora na ilha de São Miguel visto que nem
sequer há resíduos suficientes para alimentá-la”, reforçou Mariana
Silva.Também o cabeça de lista da CDU pelo
círculo de São Miguel nas eleições legislativas regionais, Rui
Teixeira, afirmou que “a maior parte dos partidos” que concorre por este
círculo está a desviar-se “desta questão e não se pronunciou”,
defendendo que “deve ficar claro, antes das eleições, quem é que quer
construí-la e quem não quer construí-la”.“Há
por aí muitas intenções de construir a incineradora, que ainda não
desapareceram, mas não descansaremos até desaparecerem”, prosseguiu.O
candidato referiu ainda que, na EDA, “com 49% de capitais que são
privados, há uma parte dos lucros que vão para o capital privado”.Assim,
“a região fica impedida de utilizar aquele instrumento para o
crescimento económico, para a dinamização social e para as famílias,
nomeadamente, a questão da tarifa social [da eletricidade]”, mas também
as micro, pequenas e médias empresas “ficam impedidas de ter algum
benefício e a região fica vedada de ter esse poder de decidir essa linha
política, essa linha económica”, adiantou Rui Teixeira.Mariana
Silva destacou igualmente, da sua visita, a necessidade de reforçar os
vigilantes de natureza do Parque Natural da Ilha do Pico e alertaoupara a
“pressão turística, que é preciso equilibrar”, neste local.No
Faial, onde visitou o Departamento de Oceanografia e Pescas da
Universidade dos Açores, a parlamentar constatou que “a precariedade dos
investigadores se mantém” mas que “tem de terminar”, caso contrário
“não dá estabilidade nem aos projetos, nem à vida dos investigadores”.As próximas eleições para o parlamento açoriano decorrem em 25 de outubro.Nas
anteriores legislativas açorianas, em 2016, o PS venceu com 46,4% dos
votos, o que se traduziu em 30 mandatos no parlamento regional, contra
30,89% do segundo partido mais votado, o PSD, com 19 mandatos, e 7,1% do
CDS-PP (quatro mandatos).O BE, com 3,6%, obteve dois mandatos, a coligação PCP/PEV, com 2,6%, um, e o PPM, com 0,93% dos votos expressos, também um.O PS governa a região há 24 anos, tendo sido antecedido pelo PSD, que liderou o executivo regional entre 1976 e 1996.Vasco
Cordeiro, líder do PS/Açores e presidente do Governo Regional desde as
legislativas regionais de 2012, após a saída de Carlos César, que esteve
16 anos no poder, apresenta-se de novo a votos para tentar um terceiro e
último mandato como chefe do executivo.