CDU festeja eleição de eurodeputado mas reconhece que “não corresponde ao necessário”
Europeias
9 de jun. de 2024, 23:39
— AO Online
“A
confirmação da eleição do deputado da CDU para o Parlamento Europeu
reveste-se de particular significado, ainda que não corresponda ao que
seria necessário para uma maior expressão da defesa dos interesses dos
trabalhadores, do povo e de Portugal nessa instituição parlamentar”,
afirmou Paulo Raimundo num hotel lisboeta onde está a decorrer a noite
eleitoral da CDU.O secretário-geral do PCP
defendeu que o resultado da CDU tem particular significado tendo em
conta que foi alcançado “no quadro de uma prolongada campanha de
menorização” e de "silenciamento" da sua candidatura, que era
apresentada “como a força que não ia eleger”.“Alguns
hoje pensavam que hoje iam calcar o desaparecimento da CDU,
enganaram-se porque o povo não permitiu que isso acontecesse”, disse.Com
o ex-secretário-geral do PCP Jerónimo de Sousa a ouvi-lo na primeira
fila, Paulo Raimundo reconheceu que a CDU gostaria de ter conseguido
eleger mais eurodeputados - salientando que isso é “uma evidência” -,
mas acrescentou que o resultado de hoje dá “confiança redobrada” à
coligação.“Estamos muito confiantes e
satisfeitos como resultado que obtivemos. É um grande contributo para a
nossa luta, para nosso povo e para os trabalhadores”, disse,
acrescentando que são também um sinal de que “é possível, mesmo num
quadro muito difícil, ultrapassar as dificuldades” e de que “há espaço
para alargar, para confiar”.Saudando “a
coragem dos que confiaram o seu voto na CDU”, Paulo Raimundo
garantiu-lhes que “esse voto não vai ser desperdiçado” e “vai ser usado
para o que der e vier”, designadamente “pelos salários, pelas reformas,
pela saúde, pela liberdade, pela democracia, pelo ambiente e pela paz”.“A
eleição do deputado da CDU representa a garantia da continuação de um
trabalho que, ao longo das últimas décadas, não encontra paralelo em
nenhuma outra força política em defesa dos interesses dos trabalhadores
do povo e do país, e de uma Europa de paz e cooperação”, assegurou. O
líder do PCP salientou que o resultado foi alcançado “depois de uma
campanha em que alguns, mais do prestar contas sobre o seu trabalho
realizado no Parlamento Europeu, procuraram amarrar a temas supostamente
europeus, deliberadamente escolhidos para iludir a relação das
consequências do que representam com os problemas concretos que marcam a
vida dos trabalhadores e do povo”.Paulo
Raimundo disse que “foi com grande esforço, grande empenho, muito
contacto, muito esclarecimento, contra ventos e marés” que a CDU
conseguiu construir o seu resultado, salientando que isso tem um
“significado extraordinário”.“Ainda que os
que davam por certo o desaparecimento da CDU vão procurar certamente
apressar-se para apresentar como derrota a conquista de um mandato. Isso
não ilude o valor do reconhecimento de tantos eleitores que, nestas
circunstâncias muito adversas, confirmaram e alargaram o voto na CDU”,
disse.Sobre o crescimento da
extrema-direita, Paulo Raimundo disse que a CDU tem-na combatido “olhos
nos olhos”, lamentando que “nem todos tenham seguido o diapasão dessa
luta” e recomendando-lhes que “não lhe deem gás, não metam mais gasóleo
na fogueira”.Questionado sobre o que é que
explica o seu crescimento a nível europeu, o líder do PCP respondeu: “O
que explica é os governos prometerem, prometerem, e não resolverem nada
da vidas das pessoas”.“Pior, não só não
resolvem, como criam ilusões que não correspondem à realidade da vida
das pessoas e depois alimentam essas forças e utilizam todos os meios ao
seu dispor para as promover”, disse.Por
sua vez, o cabeça de lista da CDU às europeias, João Oliveira disse que a
coligação continuará a lutar no Parlamento Europeu “pelos salários,
pensões, saúde, habitação, educação, defesa da produção nacional e dos
setores produtivos, por um Portugal mais democrático, desenvolvido e
soberano, numa Europa de paz, progresso social e cooperação”.“Quero
apenas dizer-vos que a voz do povo continuará a fazer-se ouvir no
Parlamento Europeu, com a intervenção decisiva e distintiva da CDU”,
disse.