CDS/Terceira afirma que instabilidade governativa resulta de pastas do PSD

Hoje 17:06 — Filipe Torres

A Assembleia de Ilha do CDS/Terceira reuniu-se, numa sessão “lotada”, onde os militantes “refletiram e debateram sobre a atual situação política regional e as suas consequências para a governação dos Açores, no geral, e para a Terceira, em particular”.  “No centro das preocupações” esteve “o estado da saúde, da mobilidade, do turismo e das finanças” - “pastas tuteladas por governantes sociais-democratas” -  que, consideram ser “os principais causadores da própria instabilidade governativa, muito para além das recentes declarações do presidente do PSD/A e do Governo Regional”, afirma o comunicado enviado às redações.De acordo com o mesmo comunicado, “foi reiterado pelos membros da Assembleia da Ilha Terceira do CDS que o partido jamais abdicará da sua identidade própria e preservará sempre a sua autonomia estratégica e de decisão quanto ao presente e futuro da governação da Região Autónoma dos Açores”. Recordando o ciclo de conferências que o CDS está a promover para celebrar os 50 Anos da Autonomia, em concreto a primeira, sobre saúde, o CDS/Terceira reiterou que o partido “não se opõe, nem nunca se opôs à reabilitação do HDES” - Hospital do Divino Espírito Santo -, “nem à sua necessária ampliação”.  Mas “estranha que, passados dois anos, a ala oeste esteja fechada a cadeado, até por falta de profissionais de saúde, como confirma o atual presidente do Conselho de Administração”. “Se o modular foi criado para permitir a reabilitação do HDES, a pergunta que se impõe fazer à secretária eleita pelo círculo da Terceira é: por que motivo não está reabilitada a urgência e a ala oeste vazia, por exemplo?”, questiona, reiterando que “o CDS defende a complementaridade e a redundância do SRS, mesmo dentro da ilha de São Miguel, e discorda frontalmente da estranha e inusitada entrevista [ao Açoriano Oriental] de Luís Maurício, presidente da comissão de análise (nomeado pela tutela) das obras do HDES – ao dizer que um hospital na Ribeira Grande não faz sentido por ficar a 20 minutos de Ponta Delgada”.  “O CDS opõe-se veementemente a formas de centralismo serôdio e, sobretudo, ao duplo centralismo micaelense, com Ponta Delgada a secar o resto da ilha”, afirma o comunicado. E adianta-se que foi aprovada uma recomendação dirigida aos órgãos regionais do CDS-Açores para que se pronunciem sobre “a legitimidade deste profissional de saúde desempenhar tais funções, dado que parecem existir contornos que configuram conflitos de interesses”.A Assembleia da Ilha Terceira do CDS “exorta o PSD/Terceira a tomar posição pública sobre as declarações proferidas a favor do HDES enquanto Hospital Central, em detrimento da necessária redundância, que melhor serve a Terceira e os Açores” e insta “as estruturas de ilha e concelhias do PSD das restantes ilhas a pronunciarem-se publicamente sobre este assunto, uma vez que o mesmo impacta diretamente na prestação de cuidados de saúde dos açorianos de oito ilhas”. “Ninguém contesta que o HDES é o maior hospital dos Açores e que é um hospital universitário. O que não aceitamos é que o usem para promover interesses alheios à saúde dos doentes e a favor de lobbies e interesses, subscrevendo e reiterando, sem reservas, as posições do seu líder, Artur Lima”, refere ainda o mesmo comunicado.