CDS-PP/Açores diz que turismo não pode pôr em causa mobilidade da população
22 de ago. de 2019, 18:30
— Lusa/AO Online
“O
turismo tem como limite a mobilidade dos açorianos. Quando a mobilidade
interna e externa dos açorianos é posta em causa pelo turismo, há que
parar para refletir”, afirmou Artur Lima em declarações à Lusa. O
líder regional centrista falava à margem de uma reunião com a Câmara de
Comércio e Indústria da Horta, que se centrou nas acessibilidades à
ilha do Faial, no último de dois dias de jornadas parlamentares
realizadas nessa ilha.Desde o verão
passado que o CDS-PP alerta para a falta de disponibilidade de lugares
nos voos entre as várias ilhas do arquipélago, operados pela SATA
Air-Açores.Segundo Artur Lima, o problema mantém-se este ano.“Os
doentes que têm de sair da sua terra para ir a uma consulta noutra ilha
não têm lugar nos aviões. Se acontece uma emergência, que alguém tenha
de acorrer a um familiar que viva fora ou a um filho que esteja a
estudar no continente, não têm lugar nos aviões”, apontou.O
líder centrista disse que não se trata da falta de lugares num único
dia por semana, mas da impossibilidade de as pessoas saírem da ilha onde
residem durante vários dias seguidos.“São
casos que as pessoas me contam. Um senhor que tinha uma pessoa doente,
com uma doença grave, e queria ir vê-lo e não conseguiu durante três
dias sair da Terceira”, salientou, acrescentando que “o Governo e a SATA
têm a obrigação de preverem isso com antecedência e de arranjarem
soluções para a mobilidade dos açorianos inter-ilhas e para o exterior”.
Segundo Artur Lima, a companhia aérea
açoriana já sabe em março e abril quantos pacotes turísticos com
encaminhamentos gratuitos entre ilhas foram vendidos, por isso, consegue
prever as necessidades e aumentar o número de ligações. “Não
é feito por falta de competência de quem gere a SATA e por falta de
vontade política. E, talvez, por uma falta de consideração para com os
açorianos”, acusou. O dirigente centrista
defendeu também a necessidade de a TAP voltar a efetuar ligações para a
Horta (Faial) e para o Pico, alegando que a proposta foi “bem acolhida”
pelos empresários faialenses.Em julho, o
CDS-PP apresentou um projeto de resolução na Assembleia Legislativa dos
Açores – aprovado por unanimidade – que recomendava ao executivo
açoriano (PS), que estabelecesse negociações com o Governo da República
(PS), para que fossem dadas instruções à TAP no sentido de a companhia
aérea voltar a fazer as ligações entre Lisboa e as ilhas do Faial e do
Pico.“A TAP tem todas as condições para o
fazer. Esta é uma solução que não é técnica, é uma solução política e
que deve ser resolvida politicamente, porque senão a mobilidade nestas
duas ilhas está ainda mais agravada”, frisou Artur Lima.Atualmente,
as ligações aéreas para o exterior destas duas ilhas são asseguradas
apenas pela Azores Airlines, do grupo SATA, que, segundo o CDS, não
garante a regularidade dos voos.Nos dois
dias de jornadas parlamentares na Horta, os deputados centristas
visitaram ainda a Escola Secundária Manuel de Arriaga, onde se
congratularam com a entrada em vigor do regulamento (proposto pelo CDS)
que prevê a atribuição de um prémio de mérito de 500 euros a todos os
alunos da região que ingressem no ensino superior.