CDS-PP/Açores afirma que Autonomia é “valor fundamental”
13 de jul. de 2023, 15:45
— Lusa
“A
Autonomia é um valor fundamental para os Açores e desempenha, desde
1976, um papel crucial no desenvolvimento e na identidade do povo
açoriano”, disse o deputado do CDS-PP.Rui
Martins, que fez uma intervenção política no terceiro dia do plenário da
Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, que decorre na
Horta, Faial, lembrou que a Autonomia “permite que a região possa tomar
decisões próprias e implementar políticas adequadas às suas
características e necessidades específicas”.“Essa
capacidade de decisão em matérias estruturantes tem sido crucial para o
desenvolvimento sustentável do arquipélago, permitindo uma maior
proximidade entre a política e a população açoriana”, vincou.O
deputado lembrou que, na semana passada, a Comissão de Assuntos Sociais
rejeitou em audição o projeto de decreto-lei que “regula as atividades
de investigação marinha realizadas por entidades não nacionais no espaço
marítimo nacional”.“O projeto, que
mereceu a rejeição dos partidos desta Assembleia com assento naquela
comissão, relega a região para um papel onde apenas é consultada, para
não dizer, informada, quando o assunto seja o acesso ao mar dos Açores”,
adiantou.Para o CDS-PP, a Autonomia “não
pode ser um jogo de interesses”, tem de “servir os açorianos que,
estando no local, devem usufruir da subsidiariedade exigível, referida
no Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores”.No
caso referido, “uma mera consulta à região”, como “está a ser tentado
no projeto” que mereceu reprovação, configura “um esticar de corda por
parte da República”.Ao tomar a palavra, a
deputada Salomé Matos (PSD) disse que a intervenção política do CDS-PP
remetia para um assunto “nobre” e para “feridas” do presente e do
passado.A social-democrata lembrou que já
foram tomadas ações no sentido de “respeitar aquelas que são as
competências da região sobre a gestão do mar” e dos recursos, para
evitar “a exclusividade da gestão do mar e a exploração dos fundos
marinhos pelo Governo da República”.“Devemos
continuar a estar unidos na tentativa de salvaguardar e garantir uma
participação efetiva das regiões autónomas diante de uma lei que não
serve os interesses dos Açores”, apelou.O
bloquista António Lima disse que continua o problema sobre as
competências do mar e referiu dois momentos “muito importantes” para o
futuro: o processo de revisão constitucional e a anteproposta que altera
a lei de bases do mar.O socialista Vasco
Cordeiro salientou que “há um artigo na Constituição que diz que, onde
houver legislação regional, não há legislação nacional”.“E
o facto é que nós já temos legislação regional, mesmo que indiretamente
toque em aspetos fundamentais sobre aquilo que esta iniciativa
legislativa pretende tratar”, vincou.Na sua opinião, “há necessidade de conciliar esta iniciativa com aquilo que já diz a Constituição”.O
deputado Paulo Estêvão (PPM) salientou que o CDS-PP referiu “uma
questão crucial em relação à autonomia política” e ao comportamento do
Governo do PS “em relação aos Açores ao longo desta legislatura”.A
questão é “essencialmente política” e merecia “uma condenação absoluta”
do PS/Açores em relação ao comportamento do Governo da República,
admitiu.“Isto aqui [a região]
transformou-se no ‘far west’ para o Governo da República. Vêm aqui [e]
podem fazer tudo o que lhes interessa. (…) Isto é que está em questão.
António Costa transformou os Açores num ‘far west’”, disse.Durante
o debate, o secretário regional das Finanças, Duarte Freitas, referiu
que o tema do mar “é caro” a todos e tem sido por diversas vezes
sublinhado pelo presidente do Governo.“O
Estado Português, neste caso em concreto, está a negar, inclusivamente,
aquilo que são princípios fundacionais da União Europeia, como é o caso
do princípio da subsidiariedade”, disse.Duarte
Freitas apelou às forças políticas regionais para a união na “defesa do
interesse profundo dos Açores”, mas disse que é preciso ver “quem é que
tem influência sobre o primeiro-ministro António Costa, se é o PS do
passado de Vasco Cordeiro ou o PS do pretenso futuro de Francisco
César”.“Em função desta influência, destas
duas fações do PS, podemos ter melhores ou piores notícias para os
Açores. As que tivemos recentemente foram péssimas”, admitiu.