CDS e Chega alertam que proposta dos Açores sobre espaço marítimo viola Constituição
20 de dez. de 2019, 11:19
— Lusa/AO Online
“Esta
proposta viola a Constituição da República Portuguesa, ofende as
decisões do Tribunal Constitucional e é grave, porque a prazo pode pôr
mesmo em causa a unidade do nosso país”, afirmou a deputada do CDS-PP
Assunção Cristas, ressalvando que a Assembleia da República não pode dar
seguimento a esta proposta tal como vem apresentada pela Região
Autónoma Açores, “a menos que queira mudar a Constituição”.Em
reunião plenária, a deputada democrata-cristã disse que “não se trata
apenas de uma questão de política para o mar, trata-se de uma questão de
soberania”, recordando que o Tribunal Constitucional decidiu a favor do
parlamento nacional perante pedidos da Região Autónoma dos Açores para a
declaração de inconstitucionalidade da lei que estabelece as bases da
política de ordenamento e de gestão do espaço marítimo nacional.Com
uma posição semelhante, o deputado único do Chega, André Ventura,
considerou que a proposta de lei constitui “uma flagrante violação da
Constituição no que se refere às competências de gestão do ordenamento e
gestão do espaço marítimo, que pode colocar flagrantemente em causa a
unidade nacional e o próprio espírito de soberania nacional”.Da
bancada do PSD, o deputado Paulo Moniz lembrou que a proposta
legislativa foi aprovada, por unanimidade, no parlamento dos Açores,
considerando que a iniciativa legislativa “garante que os órgãos de
Governo próprio da região passarão a ter um papel mais decisivo na
gestão do mar” e surge como “resposta dos Açores à inação do Governo da
República do PS”.“O Governo da República
finge que dá aos Açores e o PS dos Açores finge que aceita”, criticou o
social-democrata, recordando o compromisso assumido pelo
primeiro-ministro, António Costa, em abril de 2016, para alterar a lei:
passaram três anos e “nada foi feito”, sublinhou.Assumindo-se
como “partido fundador das autonomias”, o PSD vai votar
“favoravelmente, na generalidade”, propondo a criação de um grupo de
trabalho para ouvir todos os intervenientes sobre a proposta dos Açores e
poder aperfeiçoar a proposta legislativa.De
acordo com o deputado do PS João Castro, a proposta de lei aponta para
uma necessidade de “clarificação do conceito de gestão partilhada, no
respeito pela Constituição da República Portuguesa e do estatuto
político-administrativo da Região Autónoma dos Açores”, referindo que os
socialistas acompanham a iniciativa legislativa.“É
o caminho de corroborar e aprofundar o regime autonómico regional,
potenciando a sua eficiência e especificidade, à semelhança das
competências transferidas para o meio terrestre agora também
competências para o meio marítimo”, declarou João Castro.Do
PCP, João Dias adiantou que os comunistas acompanham genericamente a
proposta de lei, embora registando “algumas preocupações”, nomeadamente
no licenciamento no âmbito da utilização privada de bens do domínio
público marítimo, porque há “o risco de os interesses públicos virem a
ser submetidos aos interesses privados”.“O
PCP entende a autonomia regional como um poder democrático, apto para
fazer face às especificidades das regiões autónomas”, referiu o
comunista, acrescentando que é também um meio para diminuir as
assimetrias.Por parte do BE, Ricardo
Vicente concordou com as alterações propostas pela Assembleia
Legislativa da Região Autónoma dos Açores, destacando a economia do mar
como decisiva, inclusive para responder ao momento de emergência
climática.“Mas consideramos que deve ser melhorada na especialidade”, apontou.Já
o deputado único da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo,
antecipou o voto favorável à proposta dos Açores, por considerar que são
“poderes que podem e devem ser delegados”.O
Programa do Governo, aprovado em 26 de outubro em Conselho de
Ministros, refere a ideia de concretizar uma maior intervenção das
regiões autónomas em sede de gestão e exploração dos espaços marítimos
respetivos, através da alteração da Lei de Bases da Política de
Ordenamento e Gestão do Espaço Marítimo Nacional.