CDS admite voltar a viabilizar um governo do PS após as eleições

Hoje 10:25 — Rui Jorge Cabral

O presidente do CDS-PP/Açores e vice-presidente do Governo Regional, Artur Lima, recuou há 30 anos atrás, aquando da primeira vitória do PS nos Açores, com Carlos César, para admitir voltar a viabilizar um Governo alternativo do PS, tal como o CDS o tinha feito em 1996.Declarações de Artur Lima proferidas durante uma entrevista conduzida pelo escritor e jornalista, Joel Neto, no podcast ‘Ao Vivo na Livraria’.Em nota de imprensa da Livraria Lar Doce Livro, onde decorreu a entrevista, o presidente do CDS-PP Açores não nega o caráter anti-natura da coligação PSD/CDS/PPM, que governa os Açores desde 2020, sempre sem maioria no parlamento açoriano. E garante que, embora o anúncio unilateral do fim da coligação no final desta legislatura por José Manuel Bolieiro tenha sido extemporâneo, o PSD não está sozinho na rejeição de uma coligação pré-eleitoral para 2028.Até porque, afirma o também vice-presidente do Governo Regional, o CDS já pretendia ir sozinho às próximas eleições. E Artur Lima vai mais longe ao afirmar que se os interesses dos Açores exigirem nas próximas eleições uma alternância de poder, poderá o próprio CDS-PP nos Açores  viabilizar um governo do PS, como já o fez em 1996.“É sempre bom que as pessoas tenham memória”, afirmou Artur Lima ao podcast  ‘Ao Vivo na Livraria’. Isto porque, prosseguiu, em 1996 o PSD também foi a eleições convicto de que as iria ganhar e não ganhou.  “E o CDS, interpretando aquela que foi a vontade do povo, promoveu nos Açores a alternância democrática em 1996, pondo o PSD onde devia estar na altura, que era na oposição”, recordou Artur Lima.Por isso, concretizou, “o CDS pode ser fundamental para promover a alternância democrática nos Açores” na próximas eleições.E para essas eleições, o presidente do CDS-PP/Açores tem duas certezas, segundo refere a Livraria Lar Doce Livro em nota de imprensa: não haverá acordos com o Chega, com quem apenas o PSD negociou em 2020 e também não haverá acordos com um PSD liderado por alguns dos seus colegas de governo, como  Berta Cabral ou Duarte Freitas.Mas apesar do tom crítico, o vice-presidente do governo fez um balanço positivo da governação PSD/CDS/PPM, embora tenha reconhecido, perante a evolução complexa da situação regional, nacional e internacional, que é neste momento difícil de prever o que pode acontecer na economia e nas finanças da Região. E em causa pode estar mesmo o já várias vezes falado resgate financeiro aos Açores, um cenário que Artur Lima não afasta, ao contrário do PSD, seu parceiro de coligação.Sobre outro tema também bastante atual, o do ressurgimento dos discursos bairristas entre ilhas nos Açores, Artur Lima revelou ao podcast ‘Ao Vivo na Livraria’ que recebeu ameaças pessoais oriundas do setor da saúde de Ponta Delgada, em resultado da oposição do CDS-PP à instalação de um hospital central universitário em São Miguel, na sequência da reformulação em curso no Hospital do Divino Espírito Santo (HDES).Sobre esta assunto, Artur Lima afirmou mesmo que “o centralismo serôdio nos Açores não é São Miguel contra a Terceira ou a Terceira contra São Miguel... É o centralismo interno, do mais serôdio possível, que é o de Ponta Delgada contra o resto, incluindo o resto de São Miguel”.Declarações de Artur Lima bastante mais duras e ameaçadoras para o futuro do atual governo de coligação do que aquelas que tinha proferido ainda no início deste mês de maio, quando falou aos jornalistas em Ponta Delgada à margem da assinatura de um protocolo entre o Governo Regional e a Fulbright Portugal.Na altura, o presidente do CDS-PP/Açores considerou que as críticas feitas à coligação entre o PSD, o CDS-PP e o PPM por parte dos próprios partidos que a integram “não afetam” o Governo.Isto apesar de ter reconhecido que sempre houve “pedras no caminho” da coligação liderada por José Manuel Bolieiro.Recorde-se que toda esta crispação no seio da coligação PSD/CDS/PPM começa no final de abril, com uma declaração do presidente do PSD/Açores, José Manuel Bolieiro, também a um podcast, o ‘Política com Assinatura’, da editora de política da RTP/Antena 1, Natália Carvalho.Na altura, José Manuel Bolieiro afirmou que o PSD irá concorrer sozinho nas próximas eleições regionais, após terminar o acordo de coligação previsto até ao final desta legislatura.