CDS/Açores diz que escalas técnicas no aeroporto das Lajes caíram "drasticamente" após certificação
18 de jul. de 2019, 17:33
— Lusa/AO Online
“A
conclusão a que chegamos é que ficou tudo na mesma ou piorou. E piorou
relativamente às escalas técnicas. As escalas técnicas diminuíram
drasticamente por uma conjunção de esforços da SATA e da Força Aérea,
que deliberadamente não aceitam e recusam escalas técnicas pedidas para
as Lajes, que depois têm de derivar para outro aeroporto”, afirmou o
líder regional centrista, Artur Lima, à margem de uma reunião com a
direção da Aerogare Civil das Lajes.Em 23
de julho de 2018, foi assinado um protocolo para a certificação para a
utilização permanente pela aviação civil do Aeroporto Internacional das
Lajes, onde estão a Base Aérea n.º 4, da Força Aérea Portuguesa, e o
65th Air Base Group, da Força Aérea norte-americana.Um
ano depois, Artur Lima alegou que as escalas técnicas e o
estacionamento de aeronaves no Aeroporto das Lajes, que ainda não tem
essa designação escrita na infraestrutura, continuam a exigir
autorizações dos militares. “O que é que a
certificação civil fez? Nada. Eu acho que em vez de certificar a pista,
militarizaram a aerogare. A única coisa que temos é a placa C, não
temos mais nada. E depois usam a placa Alfa do outro lado, a pedido, se
os senhores da Força Aérea estão bem dispostos, e a Eco, quando estão
ainda mais bem dispostos”, salientou.Segundo
o líder regional centrista, têm sido recusadas escalas técnicas às
terças-feiras, quintas-feiras e sábados e há até mesmo uma companhia
aérea que aguarda por autorização para uma escala frequente. “Foi
pedido por uma companhia aérea – e isto é um escândalo – a operação de
um A380 para escalar as Lajes, em escala técnica, de 15 em 15 dias. O
pedido foi feito já há muito tempo e a Força Aérea ainda não respondeu.
Um A380, o maior avião de passageiros do mundo, para escalar nas Lajes, a
única pista nos Açores em que é possível”, frisou.O
também líder da bancada parlamentar do CDS na Assembleia Legislativa
dos Açores disse que a justificação que terá sido dada oficiosamente à
companhia aérea relacionada com a “envergadura da asa” não é válida,
tendo em conta que operam nas Lajes o maior avião de carga do mundo e um
avião militar de grande dimensão. Artur
Lima realçou que em 2019 as escalas técnicas nas Lajes foram
“praticamente inexistentes”, alegando que até os chefes de Estado
estrangeiros deixaram de passar pela ilha Terceira.“Por
uma questão de segurança, um chefe de Estado estrangeiro, quando vinha a
Portugal ou para uma escala técnica parava na base das Lajes. Foram
vários os que fizeram escala técnica aqui. Recentemente o presidente de
Angola teve de fazer uma escala técnica e não veio para as Lajes”,
apontou.O dirigente centrista criticou
ainda o facto de o aeroporto das Lajes ser “o único em Portugal” a não
permitir o abastecimento de aeronaves com passageiros a bordo,
considerando que isso afasta as escalas técnicas.“Um
avião que tenha de fazer uma escala aqui para se abastecer com
passageiros a bordo demora 45 minutos, se tiver que desembarcar os
passageiros demora uma hora e meia a duas horas. É mais caro, tem de
pagar aerogare, tem de pagar transporte e depois 'queima' tripulações.
Um avião que vá para os Estados Unidos, para a Califórnia, chega aqui, a
tripulação tem as horas para chegar ao destino, se espera aqui duas
horas em vez de 45 minutos, 'queima' as horas e não pode voar”,
exemplificou.
A Lusa questionou, por escrito, a Força Aérea Portuguesa e a secretaria
regional dos Transportes e Obras Públicas dos Açores, que até ao momento
não responderam.