CCIPD pede cautela na aplicação do Plano de Mobilidade e autarquia afasta fecho de ruas
Hoje 10:31
— Daniela Arruda
A mobilidade no centro de Ponta Delgada tem dado que falar. O Plano de Mobilidade Sustentável tem gerado alguma polémica, sobretudo no que diz respeito à possibilidade de algumas ruas do centro histórico poderem vir a ser fechadas ao trânsito. Apesar disso, os pareceres até agora conhecidos mostram que existe um consenso quanto à necessidade de melhorar a mobilidade no concelho, desde que as medidas sejam implementadas de forma gradual, ponderada e sem prejudicar a economia local.A Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD), na sua generalidade, concorda com o plano e considera ter uma visão estratégica para tornar o concelho mais sustentável e melhorar a qualidade de vida. Ainda assim, alerta que várias medidas devem ter uma análise mais cuidadosa antes de avançar para a sua implementação.Uma das preocupações tem a ver com as medidas que possam limitar a circulação de carros, mudar o estacionamento ou dificultar o acesso ao centro da cidade. Por isso, a CCIPD defende que devem ser feitos estudos técnicos e económicos sobre o impacto real das mudanças antes de ser tomada alguma decisão. Além disso, considera importante ouvir os comerciantes, empresários, residentes e os restantes agentes económicos.A CCIPD concorda com várias propostas que constam do plano: como o reforço dos transportes públicos, a renovação das frotas com veículos elétricos, a expansão da rede de carregamento, a criação de mais ciclovias e percursos pedonais, o reforço da segurança rodoviária e a construção de mais parques de estacionamento.No entanto, lembra que todas as medidas devem ter em conta as necessidades das empresas e de quem trabalha no centro da cidade. O acesso dos clientes, dos trabalhadores, das operações de cargas e descargas e serviços de emergência deve continuar a ser garantido para que não se prejudique a atividade económica.A CCIPD sublinha ainda que a mobilidade sustentável e a competitividade económica não são objetivos incompatíveis. Pelo contrário, considera que é possível conciliar a consciência ambiental com uma cidade dinâmica e acessível. Mas alerta que as alterações devem ser feitas de forma gradual, com avaliações regulares e sem criar novos encargos administrativos ou burocráticos para as empresas.Outros dos pontos que a Câmara de Comércio ressalva é a importância de apostar nos transportes públicos. Pois, só uma rede com boa cobertura, horários adequados e ligações eficientes pode levar mais pessoas a deixar o carro e a optar por alternativas mais sustentáveis.Entretanto, e perante a controvérsia gerada por uma petição sobre o plano, a Câmara Municipal de Ponta Delgada veio tornar pública a sua posição. Pedro Nascimento Cabral, presidente da autarquia, garante que “este executivo municipal não irá encerrar mais nenhuma rua ao trânsito no centro histórico de Ponta Delgada, nem vai permitir a imposição de quaisquer novos condicionalismos de acesso ao mesmo”.Segundo a nota enviada pelo município, o plano considera, apenas como hipótese, a criação de um sistema de controlo temporário de acessos a uma determinada área condicionada. Ainda assim, a autarquia garante que está salvaguardada a circulação de residentes, comerciantes, operações de abastecimento, forças de segurança e serviços de emergência. Afastando, assim, a ideia de que seja tomada a decisão de encerrar de forma generalizada as ruas da cidade de Ponta Delgada. O município recorda ainda que o Plano de Mobilidade Sustentável é um documento estratégico, com recomendações a médio e longo prazo em áreas como o transporte público, a mobilidade pedonal e de bicicletas, o estacionamento, a logística urbana e a redução de emissões.Além disso, reforça que o documento continua em consulta pública até ao dia 30 de setembro, precisamente para recolher os contributos da comunidade, das associações e de outras entidades interessadas .No fundo, a Câmara Municipal quis tranquilizar a população quanto à possibilidade de serem encerradas mais ruas ao trânsito. Já a Câmara de Comércio deixa claro que, caso venham a ser aplicadas medidas que afetem a circulação do trânsito, o estacionamento ou os acessos ao centro, estas devem ser previamente estudadas, discutidas e implementadas de forma gradual.