A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD), dada as
particularidades da Região Autónoma dos Açores, revela preocupação para
com o “bom funcionamento” da economia insular, se a greve dos pilotos de
barra e portos, que decorre, num primeiro período, até às 07h00 de amanhã, se prolongar.“A greve dos pilotos naturalmente que
condicionará a operação dos navios nos portos dos Açores, o que, em si, é
um problema grave para a Região, na medida que não existe alternativa
ao abastecimento da Região e à saída de mercadorias, a não ser o
transporte marítimo para, diria que mais de 95% de todas as cargas que
nós precisamos movimentar”, explicou ontem o presidente da CCIPD, em
declarações ao Açoriano Oriental.Para Mário Fortuna, esta é uma
greve que tem “um efeito muito mais paralisante” nos Açores, do que
“propriamente numa região continental onde a mercadoria pode chegar pela
ferrovia ou pode chegar pela rodovia”, realça. E acrescenta: “No caso
das regiões insulares não há esta opção, é o caso dos Açores, é o caso
da Madeira. Portanto, esta greve, para nós, a concretizar-se de forma
prolongada será muito penosa e arrecadará custos adicionais a um sistema
de transporte marítimo que já é excessivamente caro em termos
comparativos”.Questionado sobre o impacto que a greve terá na
Região, o presidente da CCIPD diz que a mesma afetará “inúmeras áreas do
comércio”, não só no abastecimento corrente para bens de consumo das
pessoas, mas também para o “abastecimento corrente do aprovisionamento
das indústrias” e para a própria “exportação”.Relativamente aos
serviços mínimos, que decorrerão hoje nos Açores, Mário Fortuna indica
que não sabe os alcances dos serviços mínimos decretados para a greve,
mas espera que sejam “razoáveis”, para o “normal funcionamento” da
economia açoriana.“A nossa expectativa é que as obrigações de
serviço mínimo sejam razoáveis e que não vão ao ponto de bloquear o
funcionamento do abastecimento normal da Região”, afirma, sublinhando
que estas greves são “muito sensíveis” para o “bom funcionamento” da
“economia insular”. Greve dos pilotos de barra e portos com adesão a 100% nos AçoresComeçou
ontem às 07h00, a greve dos pilotos de barra e portos, que dura esta
semana até às 07h00 de quarta-feira, e que continuará nas próximas duas
semanas, caso não haja um acordo com o Governo da República
relativamente às reivindicações dos trabalhadores.Nos Açores,
segundo um dirigente sindical de uma das entidades que convocou a greve,
o impacto desta manifestação será “ligeiramente reduzido”, tendo em
consideração os serviços mínimos decretados, havendo a possibilidade de
serem feitas duas manobras a navios de abastecimento.Nesse sentido,
durante os períodos de greve, irá haver uma paralisação que terá impacto
em termos das exportações e importações por via marítima em Portugal.Trata-se
de uma greve que tem por base a “reforma antecipada”, neste caso com
pré-reforma a partir dos 60 anos e reforma a partir dos 65 anos.“O
que motivou [a greve] é a pretensão que foi identificada pelos pilotos
da necessidade da reforma antecipada, em virtude das suas funções e da
perigosidade da nossa profissão. Foi identificado um conjunto de
condições relacionadas com a segurança e com os aspetos físicos e
cognitivos que o piloto necessita ter, que não são compatíveis com o
prolongar da idade da reforma, que sucessivamente tem vindo a
acontecer”, explicou Jorge Monteiro, dirigente do Sindicato dos
Capitães, Oficiais Pilotos, Comissários e Engenheiros da Marinha
Mercante (Oficiaismar), em declarações ao Açoriano Oriental.Segundo o
dirigente sindical são problemas que começaram a ser identificados em
2018, surgindo depois as respetivas reivindicações, neste período.No
entanto, “tem havido uma série de percalços que têm conduzido a que
este situação se tenha alongado no tempo e que urge resolver de uma vez
por todas”, adiantou Jorge Monteiro, dando o exemplo de acordos que não
foram concretizados, que estavam “quase fechados” com a com a ministra
Ana Paula Vitorino, ou com o ministro João Galamba.“Anteriormente já
tivemos o caso do ministro João Galamba. Tivemos um acordo quase
fechado e dois dias antes de fechar o acordo ele demitiu-se do Governo”,
recorda.Durante a greve, só se poderão fazer manobras ao abrigo dos
serviços mínimos “que estão acordados através do Tribunal Arbitral”,
afirma o dirigente do sindicato Oficiaismar.Jorge Monteiro realça
ainda que irá haver “um grande impacto a nível nacional”, uma vez que “a
maior parte das exportações e importações faz-se por via marítima”. “A
greve é nacional, tem impacto em todos os portos e, neste momento, é de
100%. O país está parado por este motivo de greve”, frisa.Não
obstante, ressalva que os Açores “estão um pouco protegidos” por causa
dos serviços mínimos, em que é possível realizar “duas manobras no
segundo dia de greve”.“[Nos Açores] será ligeiramente reduzido o impacto em relação ao todo nacional”, finaliza o dirigente sindical.A partir das 7h00 de 23 de setembro até à mesma hora do dia 25, os pilotos de barra e portos voltam a parar.Está
também agendado um terceiro período de greve, que vai decorrer entre 30
de setembro e 2 de outubro, sendo a hora de início e de fim igual à dos
restantes períodos.A greve foi convocada pelo sindicatos dos
Oficiaismar/Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações
(Fectrans) e Sindicato de Capitães e Oficiais da Marinha Mercante
(Sincomar).