CCIAH expectante com eventual interesse de Binter e Icelandair na Azores Airlines
Hoje 17:36
— Lusa/AO Online
“Deixa-nos
obviamente expectantes pelo anúncio público destes nomes e com a ideia
de que serão propostas firmes e com um interesse efetivo, porque senão
não eram anunciados desta forma. Queremos acreditar que desta vez as
coisas possam chegar a bom porto, apesar do tempo extremamente curto”,
afirmou, em declarações à Lusa, o presidente da CCIAH, Marcos Couto.O
representante dos empresários das ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa,
nos Açores, falava em reação às declarações do presidente do conselho
de administração da SATA, Tiago Santos, numa entrevista publicada esta quinta-feira pelo Jornal de Negócios. Na entrevista,
Tiago Santos disse que previa entregar o novo caderno de encargos ao
Governo Regional dos Açores na próxima semana.O
presidente da CCIAH lembrou, no entanto, que o processo tem de estar
concluído até 31 de dezembro, alegando que o grupo SATA tem praticamente
seis meses para privatizar a companhia aérea que assegura as ligações
para o exterior do arquipélago.“Fico
preocupado que só tenhamos seis meses para finalizar o processo, quando a
TAP já está há muito mais tempo a fazer um processo de venda direta.
Portanto, vamos querer fazer em seis meses o que a TAP está a levar mais
de um ano a fazer”, apontou.Na entrevista
ao Jornal de Negócios, o presidente do conselho de administração da
SATA revelou que existiam “seis a oito interessados” na privatização da
Azores Airlines, dando como exemplo as companhias Binter, das Canárias, e
Icelandair, da Islândia.Para Marcos Couto, não é relevante o número de interessados, mas a qualidade dos nomes indicados. “Temos
de nos lembrar que no processo anterior também foram anunciados 30
interessados, depois eram dois e acabou em um”, referiu.O
presidente da CCIAH referiu que a Binter já tinha manifestado interesse
em adquirir 20% da Azores Airlines e que os responsáveis da Icelandair
se deslocaram aos Açores, quando decorria o anterior processo de
privatização.No entanto, ressalvou que não
foram estas companhias a divulgar o interesse no novo processo
de privatização da companhia açoriana, ao contrário do que aconteceu,
por exemplo, com os grupos interessados na aquisição do capital social
da TAP.“Para ser dado o nome de uma
empresa que é cotada em bolsa, em Espanha, como a Binter, e ser colocado
cá fora o nome desta forma, é porque, com certeza, estará muito sólida a
proposta”, afirmou.Quanto ao facto de
Tiago Santos ter dito que o novo caderno de encargos terá maior clareza
do que no passado, relativamente à dívida e aos recursos humanos, o
presidente da associação empresarial disse que a falta de clareza, agora
admitida, pode ter “dificultado o próprio processo negocial e o sucesso
da operação anterior”.Marcos Couto
considerou que é “inquestionável” que a SATA tem de vender a Azores
Airlines, acrescentando que a empresa devia ter recorrido à negociação
direta desde o início, como a TAP.“É
essencial para o equilíbrio financeiro da região que a companhia seja
vendida. Sempre referimos que liquidação da empresa terá um impacto que
não desejamos nas contas públicas regionais. Portanto, queremos
acreditar que desta vez, com um processo que nos parece muito mais
ajustado, se consiga vender a companhia”, frisou.Em
março de 2023, foi lançado um concurso para a privatização de 51 a 85%
do capital social da Azores Airlines, na sequência de um acordo com a
Comissão Europeia, que aprovou, em junho de 2022, uma ajuda estatal à
reestruturação da companhia aérea de 453,25 milhões de euros.Três
anos depois, o Governo Regional dos Açores decidiu encerrar a
privatização da Azores Airlines sem adjudicação, seguindo a recomendação
do júri, que concluiu que única proposta admitida implicava “riscos
inaceitáveis”, um acordo parassocial que permitia reduzir a participação
pública e uma equipa menos experiente na aviação.O
prazo limite para a privatização da Azores Airlines era 31 de dezembro
de 2025, mas a Comissão Europeia aceitou um pedido de prorrogação por um
ano.