A Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo (CCIAH) recebeu
com “profunda perplexidade” a Carta Aberta da Secção Regional dos Açores
da Ordem dos Médicos.A CCIAH acusa mesmo a Secção Regional dos
Açores da Ordem dos Médicos de ter demonstrado um “evidente caráter
seletivo” na carta aberta, ao não referir-se às “acusações públicas de
extrema gravidade”, reveladas no jornal Diário Insular, relativamente à
recusa da deslocação de médicos especialistas do HDES ao Hospital de
Santo Espírito da Ilha Terceira, durante o período a seguir ao incêndio. Recorde-se que o Conselho Médico da Secção Regional dos Açores da
Ordem dos Médicos, revelou recentemente uma carta aberta em defesa da
reabilitação do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), defendendo que
o processo de reconstrução deve representar “uma oportunidade
histórica” para modernizar profundamente o hospital.A carta sublinha
que, desde os primeiros momentos após a incêndio de 4 de maio de 2024,
os profissionais de saúde demonstraram “um sentido de missão
absolutamente exemplar”, assegurando a continuidade dos cuidados apesar
das limitações provocadas pelo incêndio.Contudo, em comunicado, a
direção da CCIAH lamenta que a Secção Regional dos Açores da Ordem dos
Médicos tenha mantido “um silêncio absoluto” perante acusações públicas
“relativamente à recusa da deslocação de médicos especialistas do HDES
ao Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira, durante o período
dramático que se seguiu ao incêndio do HDES e à transferência de doentes
para a Terceira”.Para a Câmara do Comércio e Indústria de Angra do
Heroísmo, “estamos a falar de alegações gravíssimas, relacionadas com a
eventual recusa de apoio médico especializado numa situação de
emergência regional, envolvendo profissionais que pertencem ao principal
hospital dos Açores, num dos momentos mais delicados da história
recente do Serviço Regional de Saúde”.Para a CCIAH, mesmo admitindo
que a Ordem dos Médicos nos Açores desconhecesse esta situação, “então
esse desconhecimento seria, por si só, suficientemente grave para
justificar a imediata abertura de um inquérito interno por parte da
instituição, face à dimensão e impacto público das acusações feitas”.Por
isso, conclui a CCIAH, o “silêncio” da Ordem dos Médicos nos Açores
sobre estas acusações “torna particularmente difícil aceitar lições de
elevação, rigor ou responsabilidade institucional vindas de quem optou
por não se pronunciar quando estavam em causa princípios elementares de
solidariedade regional, ética médica e cooperação entre unidades
hospitalares dos Açores”.A CCIAH entende ainda “que os Açores
precisam de uma Secção Regional da Ordem dos Médicos verdadeiramente
regional, independente e comprometida com todos os açorianos”.