CCIAH critica Ordem dos Médicos nos Açores

Hoje 14:16 — Rui Jorge Cabral

A Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo (CCIAH) recebeu com “profunda perplexidade” a Carta Aberta da Secção Regional dos Açores da Ordem dos Médicos.A CCIAH acusa mesmo a Secção Regional dos Açores da Ordem dos Médicos de ter demonstrado um “evidente caráter seletivo” na carta aberta, ao não referir-se às “acusações públicas de extrema gravidade”, reveladas no jornal Diário Insular, relativamente à recusa da deslocação de médicos especialistas do HDES ao Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira, durante o período a seguir ao incêndio. Recorde-se que o Conselho Médico da Secção Regional dos Açores da Ordem dos Médicos, revelou recentemente uma carta aberta em defesa da reabilitação do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), defendendo que o processo de reconstrução deve representar “uma oportunidade histórica” para modernizar profundamente o hospital.A carta sublinha que, desde os primeiros momentos após a incêndio de 4 de maio de 2024, os profissionais de saúde demonstraram “um sentido de missão absolutamente exemplar”, assegurando a continuidade dos cuidados apesar das limitações provocadas pelo incêndio.Contudo, em comunicado, a direção da CCIAH lamenta que a Secção Regional dos Açores da Ordem dos Médicos tenha mantido “um silêncio absoluto” perante acusações públicas “relativamente à recusa da deslocação de médicos especialistas do HDES ao Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira, durante o período dramático que se seguiu ao incêndio do HDES e à transferência de doentes para a Terceira”.Para a Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo, “estamos a falar de alegações gravíssimas, relacionadas com a eventual recusa de apoio médico especializado numa situação de emergência regional, envolvendo profissionais que pertencem ao principal hospital dos Açores, num dos momentos mais delicados da história recente do Serviço Regional de Saúde”.Para a CCIAH, mesmo admitindo que a Ordem dos Médicos nos Açores desconhecesse esta situação, “então esse desconhecimento seria, por si só, suficientemente grave para justificar a imediata abertura de um inquérito interno por parte da instituição, face à dimensão e impacto público das acusações feitas”.Por isso, conclui a CCIAH, o “silêncio” da Ordem dos Médicos nos Açores sobre estas acusações “torna particularmente difícil aceitar lições de elevação, rigor ou responsabilidade institucional vindas de quem optou por não se pronunciar quando estavam em causa princípios elementares de solidariedade regional, ética médica e cooperação entre unidades hospitalares dos Açores”.A CCIAH entende ainda “que os Açores precisam de uma Secção Regional da Ordem dos Médicos verdadeiramente regional, independente e comprometida com todos os açorianos”.