Causas de um evento excecional continuam em aberto um mês depois
Apagão
27 de mai. de 2025, 10:58
— Lusa/AO Online
A
Rede Europeia de Gestores de Redes de Transporte de Eletricidade
(ENTSO-E, na sigla em inglês) anunciou a criação de um comité para
investigar as causas do apagão de 28 de abril, que classificou como
“excecional e grave”.Este painel de
peritos terá de elaborar um relatório factual que constituirá a base do
relatório final até o prazo máximo de 28 de outubro deste ano. Já o
relatório final sobre a investigação deverá ser publicado, o mais
tardar, até 30 de setembro de 2026. Existindo
várias possibilidades em aberto, sabe-se que o corte generalizado de
eletricidade teve origem em Espanha, tendo a Red Eléctrica, empresa que
gere as redes de energia no país vizinho, apontado como a principal
causa do apagão uma perda súbita de geração de energia solar durante 20
segundos, por volta das 11:30, que teve um efeito dominó e deitou abaixo
todo o sistema ibérico de eletricidade, que está interligado. Em
Portugal, a investigação está nas mãos da sua congénere, a REN – Redes
Energéticas Nacionais, que solicitou o adiamento da entrega do
relatório, que terminava em 18 de maio, tendo a Entidade Reguladora dos
Serviços Energéticos (ERSE) alargado o prazo por 10 dias.De
acordo com o regulador, o pedido teve como objetivo permitir à gestora
das redes nacionais recolher informação à qual ainda não tinha tido
acesso, sendo agora a nova data limite para a entrega do relatório o dia
28 de maio. Mas as investigações em curso não se cingem apenas aos reguladores do setor de energia. A 1 de maio, o Ministério das Infraestruturas e Habitação determinou que
a Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC), a Autoridade Nacional de
Comunicações (Anacom) e o Instituto da Mobilidade e dos Transportes
(IMT) realizem auditorias ao apagão elétrico. Caso as entidades não
tenham pedido prorrogação do prazo, as conclusões terão de ser entregues
até 28 de maio.Entretanto, a REN está a
retomar, aos poucos, os limites de importação de energia a partir de
Espanha, depois de ter optado por cortar as compras de energia a partir
do país vizinho após 28 de abril. De
acordo com a mais recente decisão da REN, até 02 de junho “a capacidade
de interligação entre Portugal e Espanha será limitada, no sentido
importador, a 2.000 MW nos períodos entre as 09h00 e as 10h00 e entre as
19h00 e as 20h00”. No restante intervalo - entre as 10h00 e as 19h00 -
terá o limite de 2.500 MW.A gestora das
redes elétricas tem revisto todas as semanas as medidas de importação de
energia no âmbito do processo de estabilização em curso do mercado
ibérico de eletricidade (Mibel).O apagão
mostrou a importância de aumentar a resiliência da rede energética da
União Europeia, numa altura em que a Península Ibérica tem uma
conectividade abaixo dos 3% com o resto da UE.O
Governo português tem vindo a defender um aumento da interligação
energética de Portugal com o resto da UE para 15% até 2030, através da
construção de mais interligações, nomeadamente nos Pirenéus que ligam
Espanha a França.Na semana passada, a
ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, foi a Bruxelas
entregar uma carta a pedir o “compromisso político e financeiro firme”
para avançar com interconexões entre a Península Ibérica e o resto da
UE, um tema discutido há anos e que permitiria aumentar a segurança
energética, reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, diminuir os
custos e facilitar a transição para as energias renováveis.Entretanto,
o Governo também anunciou que quer inserir as centrais do Baixo Sabor e
do Alqueva na função de ‘black start’, ou seja, arranque autónomo do
sistema elétrico, para acelerar o restabelecimento da energia, caso haja
uma situação como a de 28 de abril.