CATL têm 351 crianças em lista de espera, mas maioria não tem idade para entrar
Hoje 09:41
— Paula Gouveia
Os Açores têm 140 Centros de Atividades de Tempos Livres (CATL) com
mais vagas do que crianças - 5738 lugares e 5023 crianças a
frequentá-los, mas ainda assim existem 351 em lista de espera, das quais
217 sem idade ainda para entrar para estas valências.Os números
retirados do Sistema de Informação e Apoio à Decisão Social do ISSA e
cedidos pelas entidades da Rede de Serviços e Equipamentos Sociais dos
Açores, são referentes ao final de julho, e foram agora disponibilizados
na resposta do Governo Regional ao requerimento do grupo parlamentar do
Chega sobre a falta de vagas em CATL.O executivo açoriano faz
questão de sublinhar que “o número de registos em lista de espera não
corresponde diretamente ao número de necessidades efetivas de integração
em CATL”, uma vez que “61,8% dos 351 registos correspondem a crianças
com menos de seis anos à data do registo, não se enquadrando, por esse
motivo, na faixa etária do público-alvo da resposta de CATL e sendo
abrangidas por outras respostas de educação e apoio à infância,
designadamente Creche, Ama ou Educação Pré-Escolar”.Com uma taxa
potencial de cobertura de cerca de 50% da população dos 6 aos 10 anos
nos Açores, a rede apresenta uma taxa de utilização média de 89,5%, o
que leva o Governo Regional a considerar que existe “uma forte cobertura
da resposta social e um nível elevado de utilização da capacidade
instalada”, isto apesar de ser necessário ter em consideração que “a
população residente e a capacidade instalada em cada concelho não
traduzem, por si só, a procura efetiva de CATL nesse território”. Até
porque, por vezes, crianças residentes num determinado concelho podem
frequentar CATL noutro, por conveniência dos pais, e algumas Câmaras
Municipais disponibilizam respostas de CATL, contribuindo para o reforço
da cobertura existente e complementando a resposta assegurada pelas
entidades da rede de solidariedade social. É também por esta razão
que o executivo açoriano salienta que “os dados disponíveis não permitem
estabelecer uma hierarquização linear dos concelhos em função de uma
alegada insuficiência de vagas, devendo antes ser entendidos como
instrumentos de monitorização da rede”. Ainda assim, de acordo com
os dados disponibilizados pelo Governo Regional: das 351 crianças a
aguardar vaga, 207 residem em São Miguel, 79 no Faial, 41 na Terceira,
23 no Pico e uma em São Jorge.Pedida a criação de 530 novas vagasOs
pedidos de reforço da capacidade de resposta de Centros de Atividades
de Tempos Livres (CATL) correspondem à criação de 530 novas vagas, mas a
sua distribuição não corresponde às necessidades reveladas pela lista
de espera. Pede-se a criação de 253 na Terceira (com só a Associação de
Desenvolvimento - Olhar Poente a pedir 196), 116 em São Miguel, 50 no
Pico, 40 no Faial e 71 em Santa Maria. Mas, para que possam ser
contempladas, “o valor estimado para esses aumentos de capacidade foi
integrado no pedido de reforço de dotação apresentado no âmbito do
Orçamento da Segurança Social, sem o qual não será possível ao ISSA,
IPRA, contratualizar as respetivas propostas”, refere o executivo.Entre
2021 e 2026 a Direção Regional da Solidariedade Social realizou um
investimento total de quase sete milhões de euros (6 954 644 euros) para
a criação de duas novas estruturas de Centro de Atividades de Tempos
Livres (do Centro Social e Paroquial de Santo Antão e da Casa do Povo da
Feteira, prontos no primeiro semestre de 2027), bem como a
requalificação e ampliação de três CATL já existentes (do Centro Social e
Paroquial da Lomba do Loução e da Santa Casa da Misericórdia de Santa
Cruz da Graciosa, ambos concluídos; e da Associação da Juventude da
Candelária a concluir ainda em 2026).Reforço da dotaçãoQuanto
ao reforço do financiamento dos CATL, o governo regional refere que,
este ano, já foi concedido um aumento de 2,4%, com recurso a reforço
orçamental concedido pelo Governo da República Portuguesa; e a Região
está a negociar a possibilidade de um aumento adicional.Como
referido na resposta enviada pelo executivo açoriano ao parlamento
regional, o Instituto da Segurança Social dos Açores, IPRA, contratou a
realização de um estudo destinado a apurar os custos efetivos das
respostas sociais, cujos resultados serão importantes para a redefinição
do modelo de financiamento que o governo regional pretende rever e
atualizar.