Catedrático Paz Ferreira alerta deputados dos Açores para “terrível centralismo” do TC
30 de out. de 2025, 10:03
— Lusa/AO Online
“Não
nos podemos esquecer de uma coisa, que é o terrível centralismo do
Tribunal Constitucional. Como sabem, ao longo da história, eu acho que
houve, para aí, um caso ou dois em que o Tribunal Constitucional teve
uma posição favorável às regiões autónomas. Em todos os outros, foi
sempre favorável aos governos centrais”, lembrou o especialista em
direito fiscal e financeiro, ouvido na Comissão de Economia do
parlamento açoriano, reunida em Angra do Heroísmo.A
audição de Paz Ferreira surge na sequência de uma anteproposta de lei
apresentada pelos deputados do Chega na Assembleia Legislativa dos
Açores, que pretendem fazer uma revisão cirúrgica da Lei das Finanças
Regionais (LFR), alterando o regime de capitação do IVA para fazer
aumentar as transferências de verbas do Estado para a região.“Eu
seria tentado a pensar que era melhor esperar pela revisão global”,
justificou o professor catedrático, advertindo que uma eventual revisão
pontual da lei pode levar a que depois surjam “movimentos não benignos” e
“envenenados”, que se oponham a uma revisão para aprofundada da lei.As
regiões autónomas dos Açores e da Madeira não têm, atualmente, receitas
suficientes para cobrir as suas despesas correntes (situação que o
Chega propõe resolver com esta revisão pontual), mas Eduardo Paz
Ferreira entende que, a longo prazo, os Açores poderão gerar mais
receitas, através dos investimentos na área do Mar e do Espaço.“Estão
a aparecer muitas coisas que podem levar, não no imediato, mais no
médio e longo prazo, a que os Açores possam ter muito mais receitas.
Lembro-me, por exemplo, de um ponto importante, que se relaciona com o
Mar e com a sua utilização, e também com o Hub de Santa Maria. Há muitas
fontes de receitas novas que, com alguns anos, virão ajudar muito à
pacificação disto”, frisou.Os deputados da Comissão de Economia ouviram, a propósito do mesmo
assunto, o economista açoriano e antigo membro do Governo Regional,
Gualter Furtado, que defendeu, igualmente, uma “revisão profunda” da Lei
das Finanças Regionais (LFR), em vez de uma revisão “cirúrgica”, como
propõe agora o Chega.O primeiro-ministro,
Luís Montenegro, já admitiu, durante o debate sobre a proposta de
Orçamento do Estado para 2026, na Assembleia da República, que pretende
retomar, em janeiro do próximo ano, as negociações com as regiões
autónomas, com vista à revisão da Lei das Finanças Regionais.