Catarina Martins diz que recusar xenofobia e ódio “é o mínimo da decência”

15 de abr. de 2023, 22:41 — Lusa /AO Online

“A democracia tem que dizer que não à xenofobia, tem que dizer que não à política do ódio, tem que dizer que não ao racismo e isso é o mínimo da decência”, afirmou a responsável do BE, à margem da marcha pelos direitos dos animais, em Lisboa.Catarina Martins comentava a posição do líder social-democrata que rejeitou, em entrevista à CNN Portugal, que o PSD possa fazer acordos de Governo ou ter o apoio de “políticas ou políticos racistas ou xenófobos, oportunistas ou populistas”.A coordenadora do BE considerou que a direita “não tem nada para dizer ao país” e, por isso, “está sempre a falar da sua relação com o Presidente da República ou entre os vários partidos”.“Quando as pessoas dizem que não conseguem pagar uma casa, o que é que a direita diz? Que faria o mesmo que o Governo. Quando as pessoas dizem que não conseguem ter acesso à saúde, o que é que a direita diz? Que faria o mesmo que o Governo. Quando as pessoas dizem que não conseguem pagar a conta do supermercado, o que é que a direita diz? Que faria o mesmo que o Governo e, portanto, não consegue falar do país, fala de outra coisa qualquer”, declarou.A líder do BE lembrou que “o Presidente da República já afastou” o cenário de eleições antecipadas “por enquanto” e considerou que é melhor discutir “as coisas que estão realmente em cima da mesa”, como colocar o bem-estar animal já nesta revisão da Constituição que está agora a acontecer.Este foi o lema da marcha pelos animais, que juntou cerca de 300 ativistas em Lisboa, e durante a qual a coordenadora do Bloco de Esquerda enfatizou que na próxima semana terá lugar na Assembleia da República a primeira discussão sobre a inclusão do bem-estar animal na Constituição.“É um passo civilizacional muito importante, as pessoas têm sido confrontadas com notícias, por exemplo, sobre a lei que criminaliza os maus-tratos a animais de companhia e o facto de o Tribunal Constitucional ter anulado algumas sentenças por considerar que era preciso uma previsão constitucional dessa proteção”, apontou.Colocar a questão da Constituição da República Portuguesa “é importante” também para o BE “para que essa lei de maus-tratos aos animais de companhia possa ter mais eficácia, não seja posta em causa”.E também, como disse, para que haja um avanço “em matérias fundamentais de civilização” em que “a tortura de animais não pode ser um espetáculo como continua a ser, por exemplo na tourada, com apoios púbicos e com crianças a assistir” ou o transporte de animais vivos “a morrerem de formas terríveis”.“Algo que é absolutamente inaceitável no nosso país e que é preciso avançar claramente, outros países da Europa já não fazem este tipo de coisas e Portugal ainda faz”, salientou.Catarina Martins acredita que desta vez é possível encontrar uma maioria de dois terços na Assembleia da República para que o bem-estar animal faça parte da Constituição.