Catarina Martins defende que Governo deve estabelecer o preço dos bens essenciais
27 de mar. de 2023, 13:02
— Lusa/AO Online
“É preciso
que se vá observando esses preços ao longo de um período, porque se não
se fizer isso, vai acontecer em Portugal o mesmo que em Espanha: a
descida do IVA vai ser incorporada rapidamente nos lucros da grande
distribuição”, disse Catarina Martins, que falava junto a um
supermercado do grupo Jerónimo Martins.A
coordenadora do BE lembrou que em Espanha “demorou 15 dias para" acabar
com a descida dos preços motivada pela redução do IVA. "Ficaram [a grande distribuição] com tudo num instante”, disse.“Lembro
que, mesmo que desça, descer 6% não compensa os mais de 20%, nalguns
produtos até muito mais, que não tem nenhuma explicação. É mesmo preciso
controlar preços e atualizar salários”, frisou.Em
seu entender, o que está acontecer com o anúncio do Governo para os
bens essenciais é exatamente a mesma coisa que aconteceu com a descida
do IVA na eletricidade, ou seja, “ninguém sentiu e os preços continuaram
a aumentar".Para Catarina Martins,
trata-se de “uma pequena descida sem grandes garantias e só para uma
pequena parte dos bens que, daqui a uns tempos, as pessoas vão ver que
não redundou em nada. Porquê? Porque não se controlam margens de lucros,
não se controlam os preços de bens essenciais que é fundamental”. “Lembro
que enquanto as pessoas não conseguem fazer as compras porque o salário
não chega até ao final do mês, o patrão destes supermercados, por
exemplo, ganha num mês o mesmo que quem está na caixa demora 25 anos a
ganhar”, referiu. A líder do BE sublinhou, nesse sentido, que os aumentos dos salários dos trabalhadores não compensam a inflação. "Estamos
mesmo a falar de um assalto a quem trabalha. Só controlando os lucros,
as margens, estabelecendo preços para os bens essenciais é que podemos
acabar com este verdadeiro assalto aos salários que está a acontecer em
Portugal”.Para Catarina Martins, “as
medidas que o Governo agora anunciou, na sua totalidade, não chegam a
metade da folga orçamental que tem e, portanto, o Governo não está a
fazer o que pode, está aquém do necessário e da disponibilidade do país e
com isso a empobrecer quem trabalha."A
generalidade dos trabalhadores não vê nada com estas medidas, vai
continuar a ter um salário que não chega até final do mês”, acrescentou.“O
Governo age sempre tarde e muito pouco, num país em que há um grupo,
uma elite privilegiada que continua a engordar os seus lucros e o
salário de quem trabalha não chega ao fim do mês. Se as pessoas estão a
cortar na alimentação porque não tem salário, como é que a grande
distribuição tem cada vez mais lucros?”, questionou.A
aplicação de uma taxa zero de IVA num cabaz de produtos essenciais,
anunciada na semana passada pelo Governo, será aplicada entre abril e
outubro e terá um custo que o Governo avalia em 410 milhões de euros.