Catarina Martins acusa candidatos da direita de cinismo sobre a Venezuela
Presidenciais
9 de jan. de 2026, 11:51
— Lusa/AO Online
“A direita portuguesa tem a mesma posição de Ventura e tenta disfarçá-la com um toque de cinismo”, considerou a candidata às eleições presidenciais de 18 de janeiro durante um comício no Clube União Banheirense "O Chinquilho", na Baixa da Banheira (distrito de Setúbal).Perante um ginásio repleto de apoiantes da zona da Margem Sul, Catarina Martins quis voltar a trazer para a campanha a situação na Venezuela após o ataque lançado pelos Estados Unidos para capturar Nicolás Maduro.“À medida que os dias passam, vão-se tornando mais claras as intenções de Donald Trump para a Venezuela e para o mundo, graças ao que o próprio vai dizendo com total clareza”, afirmou, argumentando que a intervenção norte-americana em nada tem a ver com a democracia e com o combate ao narcotráfico.“E, como já percebemos, Donald Trump não está satisfeito com a Venezuela. Quer mais e todos os dias ameaça o resto do mundo”, acrescentou a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda.Aproveitando o tema para atirar aos adversários na corrida a Belém, Catarina Martins considerou chocante “ver o candidato da extrema-direita aplaudir” o Presidente norte-americano, que acusou de defender “apenas a voz do dono”, referindo-se a Trump, quando diz defender Portugal.“Mas se já esperávamos que a extrema-direita fosse o que é, também é importante ver o cinismo dos candidatos à direita”, continuou, mencionando Luís Marques Mendes e João Cotrim Figueiredo.Na leitura de Catarina Martins, os candidatos apoiados pelo PSD e CDS-PP e pela IL, respetivamente, foram curtos na condenação da violação do direito internacional “para passarem diretamente à propaganda do golpe, numa espécie de ‘os meios justificam os fins’”.“A nossa direita, a direita portuguesa, fica confortável a encontrar justificações para o que Donald Trump fez, que nem Donald Trump quer encontrar. Porque Donald Trump não disfarçou”, criticou a candidata apoiada pelo BE.Perante o atual cenário internacional, Catarina Martins sublinhou, no entanto, que “não tem de ser assim” e apelou à atuação urgente da Europa, a quem o perigo também pode bater à porta.“Não basta estar armada até aos dentes para se sentir segura. Precisamos de muito mais. Este é o momento de um ativismo cívico que se tem de levantar em Portugal e em todos os países pela paz e contra a violação do direito internacional”, apelou.A par da mobilização cívica, Catarina Martins apelou igualmente à aplicação de sanções diplomáticas e económicas contra os Estados Unidos e defendeu que a União Europeia deve aprofundar as relações com a América Latina na “defesa conjunta do direito internacional”.“Nestas eleições, a escolha que fizermos e a força que tiver cada candidatura ditará também a forma como nós queremos responder às emergências que temos”, concluiu.Ao longo do discurso, Catarina Martins voltou também a deixar duras críticas à gestão do Governo na área da saúde e ao pacote laboral, que classificou de “leis laborais do Bangladesh”, aproveitando igualmente para alertar para o crescimento do discurso xenófobo e da discriminação.