Catalunha pede mediação internacional no conflito com Madrid
30 de set. de 2017, 18:36
— Lusa/AO Online
O governo espanhol e
o Tribunal Constitucional do país consideraram ilegal a realização da
consulta popular nos termos propostos pelo governo catalão, uma vez que a
Lei Fundamental espanhola apenas permite referendos abertos à
participação de todos os espanhóis.Puigdement, que insistiu em
avançar com o referendo apesar das sucessivas decisões contra, da
justiça, defende agora uma mediação para o conflito, mas sem indicar
qualquer instituição."Nós devemos exprimir uma vontade clara de
dispor de uma mediação seja qual for o cenário, quer ganhe o sim ou o
não", declarou o presidente do Governo à agência francesa AFP.Apesar de não referir especificamente qualquer instituição, o destinatário da mensagem parece ser a União Europeia (UE)."Quem
aceitar a responsabilidade por esta mediação sabe que pode contar com a
vontade da parte catalã de participar e dialogar… E a partir desse
momento seria lógico uma atitude ativa de acompanhamento e de interesse
por parte da União Europeia", acrescentou.No domingo, disse
Puigdement, "o que não vai acontecer é irmos todos para casa e renunciar
aos nossos direitos... o governo tudo fez para que tudo se desenrole de
forma normal".Carles Puigdemont apelou aos catalães para que evitem todas as formas de violência.Na
mesma entrevista, Puigdemont reiterou que continua disposto a renunciar
a este escrutínio considerado ilegal pela justiça, caso o governo de
Mariano Rajoy (PP, direita conservadora) aceite abrir negociações que
permitam um referendo legal.No entanto, no passado, o governo
regional catalão deixou claro que só aceita um referendo com votantes
catalães, algo que a Constituição espanhola proíbe expressamente. Ou
seja, qualquer discussão teria de começar numa revisão constitucional,
algo que requer uma maioria de dois terços no parlamento. "Se o
Estado espanhol disser ‘vamos pôr-nos de acordo quanto a um
referendo’... nós paramos já aqui. Evidentemente que esta é a via que
todos os catalães apoiam", salientou Carles Puigdemont.