Casa para Viver diz que governo trilha mesmo caminho e pede resposta na rua
Hoje 15:42
— Lusa/AO online
“No essencial, o primeiro-ministro veio dizer aos portugueses que vai continuar exatamente no mesmo caminho: defender as políticas que não resolveram a crise da habitação e insistir nas medidas que a agravaram”, afirmou, em comunicado, a plataforma que reúne uma centena de associações e coletivos pela habitação e cidade.Luís Montenegro anunciou, na terça-feira, numa declaração ao país, que vai ouvir os líderes do PS e do Chega sobre as suas propostas para a habitação.A intervenção do chefe do executivo, acrescentou a Casa para Viver, “aponta para um futuro longínquo e incerto em que, eventualmente, tudo dará resultado”, mas, “para os problemas que as pessoas enfrentam hoje, nada”.“Faltou, mais uma vez, vontade de diálogo. E faltou disposição para intervir no mercado: regular preços, baixar rendas e tornar o acesso à habitação compatível com os salários e as pensões que se praticam no país”, considera-se na nota, notando que, “sem respostas, a resposta está na rua”.A manifestação nacional por uma “Casa para Viver”, em 14 de novembro, sai à rua em “mais de 30 cidades, em defesa do direito à habitação e de políticas de regulação que respondam, de facto, às necessidades de quem precisa de casa”.Na sequência das declarações do primeiro-ministro, segundo a plataforma, “quem procura casa, paga rendas impossíveis ou vive com medo de não conseguir renovar o contrato” e “ouviu números mal contados, mais incentivos para os investidores e a promessa de que o mercado, um dia, há de resolver a crise” que se “tem vindo a agravar”.Em relação à entrega de “mais de 32 mil casas através do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência], deixando no ar a ideia de que se trata de habitação nova, colocada pela primeira vez à disposição das famílias”, a plataforma salientou que “a grande maioria são fogos reabilitados, sobretudo do parque habitacional público”.“Dos mais de 20 mil fogos concluídos e contabilizados em 2026, 17.244 foram reabilitados. Construção nova? Apenas 2.084. Reabilitar é necessário, mas não é o mesmo que pôr mais casas ao alcance de quem precisa delas”, advogou.Para a Casa para Viver, a experiência dos últimos anos diz que “cada novo incentivo ao mercado e cada regra de proteção que cai tornam o arrendamento mais inacessível para quem vive e trabalha no país” e que, no aumento dos licenciamentos, “uma parte importante da construção continua virada para o luxo, para o investimento imobiliário e para o turismo”.Além disso, Montenegro não teve “nem uma palavra sobre retirar a última proposta de alteração à lei do arrendamento”, que “gerou forte descontentamento entre inquilinos e organizações da sociedade civil por tornar a habitação ainda mais precária”, vincou.Os recentes protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto em 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades.Por várias vezes, a PSP interveio sobre os manifestantes para dispersar as acampadas e retirar as tendas no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, tendo feito dezenas de detenções e provocado dezenas de feridos, o que motivou críticas de vários quadrantes.Os manifestantes exigem, entre outras coisas, a reversão da nova lei do arrendamento, um travão à aquisição de habitação por parte dos fundos imobiliários e tetos “verdadeiramente acessíveis” à renda.