Casa de aprestos no Porto Formoso em destaque em nova sessão da Nortada

Hoje 11:39 — Filipe Torres

A sessão do julgamento da Operação Nortada ficou marcada pelo depoimento de Emanuel Furtado, antigo presidente da Junta de Freguesia do Porto Formoso, que abordou vários episódios relacionados com a gestão de Alexandre Gaudêncio à frente da Câmara Municipal da Ribeira Grande.Sobre os trilhos pedestres, Emanuel Furtado afirmou que a junta queria assegurar a manutenção do percurso da freguesia, mas Alexandre Gaudêncio informou-o de que seria necessário cumprir um procedimento administrativo, acabando os trabalhos por ficar a cargo da Greenmark.Outro dos temas abordados em tribunal foi a casa de aprestos de um pescador no Porto Formoso, cuja demolição tinha sido ordenada pela Câmara Municipal da Ribeira Grande. O coletivo de juízes ouviu ainda uma gravação na qual Alexandre Gaudêncio e Emanuel Furtado conversam sobre uma forma de travar a demolição. A testemunha alegou que não tinha más intenções. Até hoje, a casa não foi demolida. O assunto do pagamento ao cantador Chalana voltou a ser abordado em tribunal. Emanuel Furtado afirmou que Alexandre Gaudêncio lhe terá dito que a Câmara da Ribeira Grande suportaria os custos da atuação naquele ano. Foi ainda referida uma gravação em que o antigo autarca relata que Chalana enviava mensagens à secretária da Junta de Freguesia para saber quando receberia o pagamento. E já no final do dia de julgamento, questionada pelo juiz Renato Grazina sobre se sentiu pressionada a aceitar a não demolição da casa do Porto Formoso solicitada pelo então presidente da Câmara da Ribeira Grande, Tânia Fonseca, antiga vice-presidente do município e responsável pelo pelouro do urbanismo na altura, respondeu, após alguns segundos de silêncio: “Em parte… sim”.Perante as declarações do responsável pela supervisão dos trilhos municipais e de Miguel Sousa, presidente da Junta de Freguesia de Santa Bárbara, o procurador do Ministério Público apontou contradições nos depoimentos e anunciou a abertura de novos processos. Há ainda um depoimento da responsável por uma empresa de catering, que descreveu dificuldades no pagamento de um serviço prestado num congresso realizado na Ribeira Grande para cerca de 70 pessoas. Segundo relatou, após vários meses de espera, foi orientada para emitir faturas em nome de diferentes entidades, acabando por receber o pagamento através da Fábrica de Espetáculos, num cheque que, alegadamente, lhe foi entregue por Paulo Silva. Durante a audição, o advogado de defesa alega contradições no depoimento da testemunha, tendo o caso dado origem à abertura de um novo processo. No total, ontem houve alegadamente três contradições de testemunhos.Foi ainda ouvido um jovem arquiteto que recebeu uma transferência de 500 euros da Autarquia para a bolsa de estudos. Em tribunal, afirmou que, posteriormente, foi contactado por alguém da Junta de Freguesia de Rabo de Peixe, que passou a chamada a outra pessoa, a qual  lhe pediu que  justificasse o valor recebido como pagamento por um projeto para a autarquia. Foi depois contactado pela PJ para falar sobre a transferência.A próxima sessão acontece após as férias judiciais.