Casa da Memória do Corvo preserva história da mais pequena ilha dos Açores
19 de set. de 2025, 15:37
— Lusa/AO Online
“Esta
exposição de longa duração, ‘Ilha do Corvo Marcas de um Passado’, é uma
reserva visitável e constitui as bases da Casa da Memória, um novo
espaço dedicado à preservação da história corvina, com a colaboração
ativa da comunidade local”, disse a diretora do Ecomuseu do Corvo,
Deolinda Estêvão, em declarações à agência Lusa.Segundo
esta responsável, a exposição reúne objetos ligados a atividades como a
agricultura, carpintaria, tecelagem e o quotidiano dos corvinos e
representa as bases da Casa da Memória, projeto " muito ambicioso", cuja
reabilitação do imóvel já conta com um projeto arquitetónico da Direção
Regional da Cultura.“Ainda estamos a
trabalhar na reabilitação do edifício, mas esta exposição já é um
primeiro passo, porque através dessa mostra pretendemos dar a conhecer a
forma como os corvinos viviam até meados do século XX. Através de cada
peça contamos a história desta comunidade resiliente da ilha do Corvo”,
sublinhou a diretora do Ecomuseu.O espaço,
que já está aberto há cerca de um ano, vai acolher agora esta
exposição, que antecipa a futura Casa da Memória, cujo imóvel em pedra,
localizado no núcleo antigo do Corvo, será reabilitado e vai albergar
uma réplica de uma cozinha antiga, uma sala, dois quartos e zona
dedicada a exposições temporárias.“Queremos que seja uma memória viva”, destacou Deolinda Estêvão.Quanto à exposição a inaugurar no sábado, constitui uma viagem no tempo.Entre
os objetos em exibição, destaca-se um tear típico da ilha, cedido
provisoriamente por um membro da comunidade, tecidos com mais de cem
anos, elaborados no tear, uma roda de fiar, ferramentas de carpintaria,
tesouras de tosquia, além de objetos e instrumentos do quotidiano
doméstico, assim como a típica barreta do Corvo e a fechadura
tradicional da ilha.A mostra conta também com selas de burros, arados e uma mesinha de cabeceira.Deolinda
Estêvão explicou que todas as peças que integram a exposição na Casa da
Memória foram recolhidas pelo Ecomuseu com a colaboração da comunidade e
são "objetos essencialmente em madeira e em metal que têm sido
preservados com o apoio de técnicos da Direção Regional da Cultura".A
inauguração da exposição será marcada pelo lançamento de um catálogo da
mostra, que será oferecido aos presentes, incluindo uma cópia para cada
família residente na ilha do Corvo.A
anteceder a inauguração da exposição será feita uma homenagem a José
Leite de Vasconcelos, com a inauguração de uma placa, no Largo do
Outeiro, evocativa desta “figura maior dos estudos da língua, da
arqueologia e das tradições populares em Portugal, considerado o pai da
etnografia e da arqueologia científica no país”.Ainda
no sábado, será apresentado o livro “Arqueologia no Corvo: Um percurso
com a Comunidade”, com a presença dos autores José Luís Neto e Pedro
Parreira, seguida de convívio cultural. Durante
a 5.ª Campanha do Património do Corvo, que decorrerá até 25 de
setembro, a comunidade poderá participar em diversas atividades
relacionadas com a preservação do património local.Uma
das ações será um workshop sobre Conservação e Intervenção Preventiva
do Património Móvel, orientado pelo técnico Paulo da Silveira, em regime
de porta aberta, e serão realizadas ações de recolha de património
material e imaterial."O que queremos aqui
no Corvo é um património que seja vivido com a comunidade e esta
campanha mostra que a mais pequena ilha dos Açores tem uma história
grande e única para partilhar", reforçou à Lusa a diretora do Ecomuseu.