Carreira Especial Farmacêutica alargada aos Açores
23 de out. de 2019, 13:54
— Lusa/AO Online
“Na prática, permite regulamentar melhor
as especialidades dos farmacêuticos e o modo como elas são exercidas,
nomeadamente, vai permitir, com a publicação de um novo diploma, que diz
respeito à residência farmacêutica, fazer a formação de especialidades
no Serviço Nacional de Saúde”, adiantou, em declarações à Lusa, o
presidente do Sindicato Nacional dos Farmacêuticos, Henrique Reguengo. O
sindicalista falava em Angra do Heroísmo, à margem da assinatura dos
acordos coletivos, cerimónia que integrou o programa de uma visita de
três dias do Governo Regional dos Açores à ilha Terceira.O
decreto-lei que estabelece o regime legal da carreira farmacêutica foi
publicado em 30 de agosto de 2017, “após muito tempo de luta e
negociações”, e a implementação da carreira no continente português
decorreu em março de 2018. Com a
assinatura destes acordos, que entrarão em vigor no mês seguinte à sua
publicação em Jornal Oficial, os farmacêuticos passam a ter também uma
carreira especial nos Açores, faltando apenas estender essa condição à
Região Autónoma da Madeira. Segundo
Henrique Reguengo, os acordos não trazem mudanças salariais, mas
permitem regulamentar o modo do exercício farmacêutico nas suas
diferentes especialidades nos serviços públicos: farmácia hospitalar,
análises clínicas e genética humana.“Normalmente,
as carreiras são vistas como um modo de os trabalhadores alcançarem
benesses. Neste caso, os farmacêuticos deram tanto valor a conseguirem
estruturar a sua profissão no Serviço Nacional de Saúde de um modo
coerente que cederam, numa altura em que o país estava em crise e não
havia propriamente disponibilidade, nem abertura do Governo para poder
alterar essa matéria, a fazer toda a negociação de todos os outros
pontos, sem que houvesse alteração remuneratória”, salientou. Ainda
assim, o sindicalista frisou que as outras carreiras da área da saúde
tiveram adaptações nos últimos 10 anos, alegando que os farmacêuticos
também terão de ver o seu vencimento adequado às suas competências no
futuro.“Obviamente que isso não poderá ser
feito ‘sine die’. Vai haver uma altura em que temos de olhar para a
estrutura para vermos o que se passa lá fora para nos apercebermos que o
vencimento dos farmacêuticos não tem nada a ver com as suas
competências técnico-científicas”, frisou.Segundo
a secretária regional da Saúde dos Açores, Teresa Machado Luciano, a
carreira especial vai permitir “atribuir melhores condições de exercício
profissional aos farmacêuticos”. “Reconhecemos,
desta maneira, o elevado grau de especialização e o importante papel
destes profissionais. Criamos condições mais favoráveis, tanto para os
serviços, como para os trabalhadores”, sublinhou.Os
acordos, que definem a organização do tempo de trabalho, o trabalho
suplementar, a atividade sindical, a formação profissional, a segurança e
saúde no trabalho e os serviços mínimos em situação de greve, serão
aplicados não só aos farmacêuticos com vínculo de emprego público, como
aos que têm contrato individual de trabalho, nos hospitais que são
entidades públicas empresariais.