Carregar carros elétricos na rede pública pode custar o dobro do que em casa
4 de nov. de 2024, 11:00
— Lusa
"O preço da
rede pública para veículos elétricos é similar ao preço de abastecer um
carro a gasóleo, mas seria consideravelmente mais barato se o utilizador
apenas o carregasse em casa", refere o estudo realizado em outubro, com
base em preços de março de 2024.Segundo o
estudo “Mobilidade Elétrica em Portugal: Onde estamos e para onde
vamos?”, realizado em outubro de 2024, pela Católica Lisbon School of
Business & Economics, "este preço elevado na rede pública poderá ser
também exacerbado pela reduzida concorrência no mercado de
infraestruturas de carregamento, no qual 57% dos postos de carregamento
são detidos pelos três maiores operadores". Além
do custo, "a insuficiente infraestrutura de carregamentos de veículos
elétricos em Portugal, especialmente de carregadores rápidos e,
sobretudo, ultrarrápidos" - 101 municípios portugueses ainda não possuem
estações públicas rápidas e 231 municípios não têm carregadores
públicos ultrarrápidos - é outra das lacunas referidas no estudo que
mostra que "Portugal não conseguirá atingir as metas a que se propôs no
Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 (RNC2050)". "Inclusive
na presença de cenários irrealistas, como caso fosse proibida a venda
de veículos tradicionais, ou caso a quota de mercado de veículos
elétricos em Portugal crescesse à taxa da quota da Noruega, líder na
adoção de EV, as metas não seriam atingidas", sentencia.Adicionalmente, lê-se ainda no documento, "é possível identificar lacunas nas políticas públicas" na mobilidade elétrica.Reconhecendo
que "Portugal possui já incentivos à aquisição de veículos elétricos,
como subsídios e deduções ou isenções fiscais", faltam "apoios à
instalação e manutenção de infraestruturas de carregamento na rede
pública, como oferecidos em outros países com elevadas taxas de adoção
de veículo elétrico". "A única medida de
apoio à infraestrutura é dirigida a carregadores localizados em
condomínios, e possui restrições no número de carregadores que podem
receber o apoio por condomínio", explica, defendendo que, segundo a
revisão de literatura realizada, "os apoios mais eficazes e consistentes
são incentivos à infraestrutura". ""Por
seu lado, os apoios à aquisição apresentam uma grande variabilidade de
resultados, não se mostrando tão fortes e eficientes. Assim, deve
existir uma mudança no foco das políticas públicas, no sentido de
incentivar a infraestrutura", propõe. Considera
ainda que outros apoios, como portagens gratuitas e acesso a vias
prioritárias para utilizadores de veículos elétricos, poderão ser úteis e
rentáveis em Portugal".Citada no
comunicado, Joana Silva, professora da CATÓLICA-LISBON, salienta que “o
progresso de Portugal no setor dos veículos elétricos é notável e já
existem cerca de 130 mil veículos 100% elétricos. Mas Portugal não
atingirá as metas de neutralidade carbónica até 2035 e 2050, mesmo que
todos os novos veículos vendidos a partir de hoje sejam elétricos”.Os objetivos são que, em 2050, 100% do parque automóvel seja EV, com uma meta intermédia de 36% em 2035.O estudo "Mobilidade Elétrica em Portugal: Onde estamos e para onde vamos?” foi financiado pelo Grupo Brisa.