Carolina João e Diogo Costa à procura de "superar o resultado" em Los Angeles2028

Hoje 11:24 — Lusa/AO Online

“Desde que começámos a navegar, os nossos resultados foram sempre crescendo de forma crescente. Nunca foi uma montanha-russa. E a base, hoje em dia, é bastante sólida. E, portanto, acho que também sempre fomos pessoas de por objetivos realistas. É óbvio que a pressão aumente, que, depois do quinto, a pessoa queira mais e, se calhar, às vezes, mete o resultado um bocadinho à frente do que é a realidade”, reconheceu a duas vezes olímpica.Los Angeles2028 está, pois, no pensamento do duo luso desde que caiu o pano sobre Paris2024.“Planeamos muito a nossa vida por ciclos olímpicos. Acho que o objetivo é sempre os Jogos e tudo o que é feito durante esses quatro anos é a pensar nos Jogos”, conta à Lusa Carolina João, para quem a meta para a cidade norte-americana “é sempre superar o resultado que já foi feito”. “Se não for com essa filosofia, então mais vale quase não ir. Ou trabalhamos para tentar superar o resultado… acho que só assim nas nossas cabeças é que faz sentido. Pode ou não acontecer, mas faremos tudo ao nosso alcance”, acrescentou.Por isso, de acordo com Diogo Costa, os velejadores do Clube Naval de Cascais precisam de “continuar a investir tempo, dinheiro” e de “todas as ajudas” que consigam ter para se prepararem. “A preparação para chegar aos Jogos o melhor possível é a parte mais importante. Normalmente, não ganha um que não deveria ganhar. Então, primeiro é preciso prepararmo-nos bem, chegarmos lá confiantes, [com] tudo testado. É preciso continuarmos a investir tudo o que temos e o que não temos também, e estamos extremamente focados para isto. E o resultado aparecerá, se tiver de aparecer”, acrescentou.Nesse caminho, estão a experimentar ser menos cautelosos nas regatas, como aconteceu esta semana no Troféu Princesa Sofia, em Palma de Maiorca, em Espanha, no qual foram oitavos classificados.“A verdade é que, desde miúdos, nós somos ensinados a que a vela é um desporto de consistência. E não deixa de o ser, mas a verdade é que um primeiro e um nono ganha contra um quinto e um quinto. Apesar de serem 10 pontos, o primeiro e o nono ganha sempre”, exemplificou, antes de Carolina João defender que é preciso “saber quando arriscar e quando ser conservador”. Assim, “no geral”, o balanço da participação no primeiro evento do Grand Slam da temporada foi “positivo”. “Houve, obviamente, vezes que arriscámos e que não saiu bem. […] No final de contas, vamos aprendendo também. E se não nos déssemos ao luxo de poder errar numa prova destas, não aprendíamos com pressão”, frisou o portuense. Após uma pré-temporada “bastante má”, em que Carolina esteve “três meses parada” por lesão e ficou doente no regresso, a dupla está “a usar um bocadinho estes campeonatos para poder trabalhar coisas específicas, para realmente poder chegar ao Mundial confiante com o trabalho que foi feito”.Em Enoshima, no Japão, entre 10 e 17 de agosto, reconhecem que um top 5 “seria um bom resultado”.“Vai depender das condições. Para nós, o bom resultado é garantir o apoio do Comité Olímpico [de Portugal] no segundo nível, que é do quarto ao sexto país - isso pode variar consoante o número de países que entrarem na ‘medal [series]’. Mas a verdade é que um top 5 acho que seríamos capazes de fazer. Talvez um bocadinho mais, talvez um bocadinho menos”, reforçou Costa.Na luta por esse objetivo, os velejadores olímpicos enfrentam a ‘concorrência’ de outra dupla nacional, a constituída por Beatriz Gago e Rodolfo Pires, com quem vão disputar a quota nacional para Los Angeles2028.“Diria que quanto maior é a competitividade interna melhor é. No final de contas, a pessoa nunca pode tirar o pé do pedal”, avaliou João.Lamentando que apenas uma das duplas possa ir aos Jogos, mas notando que estas são “as regras do jogo” e não podem ir contra elas, Diogo Costa mostra-se mais cauteloso, recorrendo ao passado para exemplificar. “Nós nunca vivemos isso, a geração de ouro viveu. Na altura, com o Álvaro Marinho e o Miguel Nunes, e o Nuno Barreto e o Hugo Rocha, e acho que aquilo acabou um bocado mal. Esperamos que não acabe mal com eles [Gago e Pires]. Mas a verdade é que vai haver uma altura em que a competitividade vai deixar de ser externa”, antecipou.No entanto, como lembrou, “primeiro é preciso apurar o país e, depois sim, haverá a competição interna”.