Carneiro desafia Montenegro a informar o país sobre utilização da base das Lajes
Irão
Hoje 10:55
— Lusa/AO Online
Em
declarações aos jornalistas em Braga, à margem de uma reunião com
militantes para apresentar a sua recandidatura a secretário-geral do PS,
José Luís Carneiro, desafiou também o Governo a explicitar de que modo
os portugueses estão a ser protegidos e serão repatriados caso o
conflito atinja proporções mais graves.“Eu
entendo que o primeiro-ministro deve informar o país sobre os termos em
que foi autorizada a utilização da base das Lajes, como, aliás,
certamente ouviram também o primeiro-ministro inglês a explicitar os
termos em que a Inglaterra se colocava numa solução de apoio aos Estados
Unidos, aos países aliados dos Estados Unidos da América, para
salvaguardar os termos em que a intervenção é feita”, referiu.Para o líder socialista, Luís Montenegro deve informar particularmente o parlamento. “Na
quarta-feira, há um debate com o primeiro-ministro, um debate
quinzenal, eu próprio pretendo colocar-lhe as questões adequadas, de
forma a que possa informar o povo português dos termos em que foi
autorizada a utilização da base das Lajes. A informação que nos foi dada
é que a autorização foi concedida ao abrigo do acordo que temos com os
Estados Unidos”, acrescentou.O líder
socialista considerou que o parlamento deve fazer o “devido escrutínio”
do Governo, que por sua vez deve prestar “a informação pública
necessária à garantia de que os termos da sua utilização ocorrem no
âmbito desse mesmo acordo”. Israel e
Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para
“eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, e Teerão respondeu
com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos
israelitas.Para José Luís Carneiro, as
forças e as capacidades do Irão para “intervir e desestabilizar toda a
região existem, o que significa que a intervenção dos Estados Unidos
visa efetivamente limitar as possibilidades de desestabilização”.“Mas
aquilo que nós dizemos é que qualquer intervenção deve ser feita ao
abrigo do mandato das Nações Unidas. Não está em causa a natureza do
regime iraniano, que é um regime que tem contribuído para a
instabilização da região. O importante é que se evite a escalada [do
conflito], defendeu, vincando a necessidade de exigir às partes que
procurem retomar a via diplomática.Em
relação aos portugueses que se encontram na zona do conflito, o
secretário-geral do PS disse que é “muito importante” que o Governo
explicite o modo como estão a ser protegidos e como serão repatriados,
em caso de escalada.“Essa é uma das áreas
em que o Governo deve dar explicações à Assembleia da República, os
termos em que o apoio ao regresso desses portugueses está a ser
garantido e acautelado, esse é um dever de proteção dos portugueses”,
referiu.Aludiu, concretamente, a vários
portugueses que estavam sobretudo no Dubai, que não tinham voos
garantidos e que estavam a observar uma progressiva instabilização
política e militar da região. “O Governo deve explicar à Assembleia da República o que é que está a fazer para proteger esses cidadãos nacionais”, instou.