Carneiro acusa Montenegro de censura aos jornalistas e diz que o “rei vai mesmo nu”
Hoje 12:11
— Lusa/AO Online
"Luís
Montenegro optou por um discurso de autojustificação e de
censura àqueles que realizam o escrutínio do seu Governo. Aos
jornalistas, eu quero dizer-lhes e lembrar que não é a primeira vez,
porque já em 2025 um dos alvos das críticas da AD no seu comício do
Pontal foi precisamente o jornalismo livre, plural, independente, que
faz o escrutínio e que é garantia da qualidade da vida democrática",
criticou José Luís Carneiro da rentrée do PS, em Olhão, distrito de
Faro.O líder do PS considerou que, sobre
"a alegada obra que diz já orgulhar-se" Luís Montenegro, "alguém tem de
dizer ao primeiro-ministro que o rei vai mesmo nu". "Em
primeiro lugar porque o Governo e o primeiro-ministro não deram até
hoje prova de conseguir reagir, responder com capacidade, com
sensibilidade e com competência às crises que têm assolado o país e que
têm colocado em causa a segurança das pessoas e que têm posto em causa a
previsibilidade da capacidade de resposta do Estado", criticou.Carneiro
lamentou que o país esteja "sem rumo estratégico" e, ao longo do seu
discurso de cerca de 40 minutos, criticou a atuação do executivo em
várias áreas, insistindo na ideia de que o Governo de Luís Montenegro
falhou em diferentes aspetos e promessas que fez."O
que se está a passar nas funções nevrálgicas do Sistema de Segurança
Interna exige o mais elevado sentido de Estado ao primeiro-ministro e o
primeiro-ministro não pode lavar as mãos como se nada tivesse que ver
com a degradação da confiança nas instituições que são essenciais para a
salvaguarda do Estado de direito democrático", avisou. A
questão da educação e da recente polémica com os exames não ficou de
fora do discurso, acusando o Governo de ter "desmantelado estruturas
fundamentais do Ministério da Educação", o que teve consequências
na digitalização dos exames. "E teve, de
facto, esta imprevisibilidade, esta insegurança que afetou famílias,
afetou os jovens num dos momentos decisivos da nossa vida coletiva (...)
e é por isso que é incompreensível que o primeiro-ministro, num
discurso de 47 minutos, não tenha tido cinco minutos para pedir desculpa
aos portugueses, não tenha tido a humildade democrática de dizer que
não ocorreu como o Governo esperava", criticou.Carneiro
recordou ainda as declarações de Montenegro na sexta-feira sobre a TAP e
anotou "uma certa ironia" por o primeiro-ministro ter mostrado "um
certo contentamento pelos resultados que aparentemente vão resultar do
processo de privatização de uma parte do capital da TAP" depois de terem
estado "contra a assunção de responsabilidades por parte do Estado" no
período da pandemia."Mas há uma pergunta
que eu quero também fazer ao doutor Luís Montenegro do ponto de
vista estratégico da nossa economia. Ele que defende o Fundo Soberano
deve explicar aos portugueses que, numa matéria tão sensível como é a
soberania energética nacional, como é que até agora ainda não tomou
uma posição sobre as garantias do negócio da Moeve com a Galp e a
garantia de que Portugal continuará a ter um papel determinante naquela
que é a única refinaria do país responsável por 90% dos combustíveis do
nosso país", desafiou.