Carlos Moedas defendeu suspensão do controlo eletrónico no Aeroporto de Lisboa
Hoje 17:02
— Lusa/AO Online
À margem das comemorações do 631º aniversário dos Bombeiros
Sapadores, em Lisboa, o autarca realçou que o novo sistema de controlo
eletrónico de passageiros está atualmente a causar “um grande problema”
no aeroporto, com “pessoas que ficam horas e horas na fila”.
“Eu penso que é necessário, neste momento, suspender o sistema
eletrónico porque ele não está a funcionar”, disse, sublinhando que as
filas dos últimos dias vão “criando caos naquilo que é a entrada” em
Portugal, dando, “no fundo, uma imagem terrível” do país.
Moedas destacou que “o sistema é muito importante para a Europa porque
permite identificar pessoas, desde criminosos que não devem entrar num
país”, mas “os problemas têm que ser resolvidos” para que volte a
funcionar. O autarca e antigo comissário
europeu sublinhou que ainda estava na Comissão Europeia “quando se deu
início a todo o processo do sistema eletrónico” e, “na altura, já se
sabia que iria dar problemas". “Temos aqui
a prova que está a dar problemas não só em Portugal, mas também noutros
países. Mas, em Lisboa, o problema está num nível, neste momento, que é
necessário suspender o sistema. Porque se nós não suspendemos o sistema
de imediato, e ainda estamos no começo daquilo que vai ser a época de
verão, nós vamos ter aqui um caos. Isso não pode acontecer”, defendeu.
Carlos Moedas destacou que o sistema “não foi bem desenhado
internacionalmente”, acrescentando que a solução para resolver os
problemas não é “só do Governo, é também uma solução que vem da União
Europeia”, que “tem que se chegar à frente para resolver esta situação”.
Em resposta à Lusa, o Ministério da Administração Interna (MAI)
recusou, na segunda-feira, interromper durante o verão a aplicação nos
aeroportos do novo sistema europeu de controlo de fronteiras, embora
tenha admitido que a recolha de dados biométricos possa ser suspensa em
períodos limitados. O MAI ressalvou que "o
quadro europeu aplicável admite, em circunstâncias excecionais e
devidamente limitadas, a adoção de medidas operacionais, como a
suspensão da recolha de biometria (imagem facial e impressões digitais),
em determinados pontos de passagem fronteiriça, quando a intensidade do
tráfego possa gerar tempos de espera excessivos".
A suspensão da recolha de dados biométricos foi também admitida pelo
primeiro-ministro, Luís Montenegro, que se mostrou insatisfeito com a
atuação dos serviços de controlo de fronteiras devido às longas filas de
espera nos aeroportos. “Não queremos
colocar em causa a segurança do país, mas também não queremos colocar em
causa o movimento económico do país”, frisou o governante, que disse
ter recebido relatos de "vários agentes económicos incomodados com essa
situação”. No domingo de manhã, o controlo
de fronteiras registou tempos de espera superiores a duas horas no
aeroporto do Porto e a hora e meia nos de Lisboa e de Faro, justificados
pela PSP com razões técnicas e informáticas associadas a um elevado
fluxo de passageiros de fora do espaço Schengen.
O tempo de espera nos aeroportos portugueses do continente para
passageiros fora do espaço Schengen foi, até ao fim da manhã de hoje,
inferior a uma hora, informou a PSP, que confirmou uma falha técnica que
não teve impacto. Nos primeiros quatro
meses deste ano, a PSP controlou quase 6,3 milhões de passageiros nos
aeroportos nacionais, admitindo que, em determinados momentos,
verificaram-se “tempos de espera superiores aos desejados”.
O sistema europeu de controlo de fronteiras para cidadãos
extracomunitários, denominado Sistema de Entrada/Saída (EES) da União
Europeia, foi implementado de forma faseada na UE e estava previsto para
abril o funcionamento deste sistema a 100% em todo o território
comunitário. O EES, que substituiu o
carimbo de passaportes pelo registo digital da fotografia e das
impressões digitais dos passageiros extracomunitários, entrou
progressivamente em funcionamento em 12 de outubro de 2025 em Portugal e
nos restantes países do espaço Schengen e, desde então, os tempos de
espera agravaram-se, principalmente no aeroporto de Lisboa.
No final de dezembro de 2025, o Governo anunciou medidas de
contingência no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, para reduzir os
tempos de espera na zona das chegadas, nomeadamente a suspensão por três
meses do EES, que entretanto voltou a funcionar.