Carlos Costa quer que solução para malparado seja encontrada dentro dos bancos
28 de set. de 2017, 17:53
— Lusa/AO online
Numa conferência de homenagem a Henrique
Medina Carreira que decorreu hoje na Fundação Calouste Gulbenkian, em
Lisboa, Carlos Costa referiu que “uma das questões que distingue
bastante os países da União Europeia que participam na união bancária é a
eficácia do sistema em matéria de execução dos créditos quando os
créditos entram em incumprimento”.Para o governador do banco
central, “vai ser esse um dos fatores que vai seguramente penalizar
bastante o sistema bancário português se tiver de recorrer a qualquer
modelo de externalização da venda de ativos que não geram rendimento”.Carlos
Costa falava no dia em que o Banco Comercial Português (BCP), a Caixa
Geral de Depósitos (CGD) e o Novo Banco anunciaram ao mercado que
assinaram um memorando de entendimento para a criação de uma plataforma
de crédito malparado.Esta plataforma vai permitir uma maior
coordenação entre os credores bancários, visando aumentar a eficácia e
celeridade nos processos de reestruturação dos créditos e das empresas,
afirmam os três bancos em comunicados enviados hoje à Comissão do
Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).Há duas semanas, o
secretário de Estado Adjunto e das Finanças disse que o Governo espera
que a plataforma de gestão comum de créditos malparados, que será
constituída pelas três maiores instituições financeiras, esteja em
funcionamento "no início do próximo ano".Ricardo Mourinho Félix
adiantou, num encontro com jornalistas, que "são os bancos que estão a
tratar" de operacionalizar esta solução e que "o Governo acompanha de
perto, tal como o Banco de Portugal".Sobre o caminho feito,
Mourinho Félix disse que o grupo de trabalho constituído analisou uma
série de soluções e que "a que prevaleceu foi a da plataforma" que passa
por formar "um agrupamento complementar de empresas (ACE) constituído
pelos bancos, que terá uma gestão comum e que fará a gestão de um
conjunto de créditos".Carlos Costa, que dedicou a intervenção na
conferência de hoje aos “desafios para um crescimento económico
sustentável e inclusivo da economia portuguesa”, falou também da
necessidade de aumentar a produtividade, cujo crescimento disse ser
“sofrível” e estar a comprometer o aumento do nível de vida das pessoas.“A
manter-se por muito tempo o fraco crescimento da produtividade, este
crescimento sofrível da produtividade comprometerá gravemente o aumento
do nível de vida dos cidadãos e a manutenção do modelo social em que se
baseia todo o sistema ocidental e europeu”, afirmou o responsável.Quanto
ao caso concreto de Portugal, Carlos Costa disse que “o reduzido
crescimento da produtividade observado nas últimas décadas limita a
capacidade de maiores níveis de consumo dos cidadãos sem incorrer em
desequilíbrios externos, ou seja, em níveis insustentáveis de
endividamento”.Por isso, defendeu que “é fundamental
consciencializar a sociedade portuguesa da necessidade de prosseguir a
consolidação financeira e de criar condições que favoreçam o crescimento
e a produtividade”, considerando que esta tarefa não cabe ao Estado.Para
o governador do BdP, “cabe ao Estado criar condições indutoras de
crescimento mas ele [o crescimento] é o produto dos agentes económicos,
em particular dos agentes organizados em empresas”.