Carlos César volta a ser candidato a presidente do PS mas antecipa “maior recato público”
Hoje 09:21
— Lusa/AO Online
“Tinha
confidenciado a alguns camaradas que não tencionava continuar no cargo,
mas decidi aceitar voltar a ser candidato à presidência do partido,
correspondendo ao pedido insistente nesse sentido do secretário-geral
agora reeleito [José Luís Carneiro], e de outros camaradas, com as mais
diversas sensibilidades, que igualmente me fizeram chegar esse apelo”,
respondeu Carlos César à agência Lusa quando questionado sobre se seria
de novo candidato ao cargo.Entre os nomes
dos apoiantes à sua candidatura - cuja eleição decorre em congresso e
por proposta de um mínimo de 5% de delegados eleitos – estão o ex-líder
do PS Pedro Nuno Santos, o presidente honorário do PS Manuel Alegre, o
ex-presidente do parlamento Eduardo Ferro Rodrigues e os ex-ministros
Duarte Cordeiro, Mariana Vieira da Silva, Fernando Medina, Alexandra
Leitão ou João Soares, bem como os ex-deputados Sérgio Sousa Pinto e
Ascenso Simões.“Em circunstâncias
anteriores, exerci o cargo com maior visibilidade e intervenção pública,
numa fase, porque o secretário-geral do partido ocupava funções de
Governo e eu próprio era líder parlamentar, e, numa fase seguinte, pelas
circunstâncias extraordinárias ocasionadas com a vacatura na liderança
do partido”, referiu.Com o PS afastado do
Governo e a vida interna decorrendo com normalidade, Carlos César
considerou que “o presidente tem, ou deve ter, uma posição de maior
recato público, sem prejuízo da sua magistratura de influência,
tendencialmente desenvolvida com discrição, em defesa do melhor
discernimento e da unidade e coesão no partido”.“É o que agora acontece”, antecipou.Para
o antigo presidente do Governo Regional dos Açores, o cargo ao qual se
recandidata no partido deve ser "uma referência institucional de
continuidade e não um cargo executivo", coexistindo "quer com a
renovação programática, como com as disputas e as alterações na
liderança e em outros órgãos executivos eleitos"."Fui
eleito pela primeira vez em 2014 e trabalhei continuadamente com
diferentes direções do partido, lideradas sucessivamente por António
Costa, Pedro Nuno Santos e, ultimamente, por José Luís Carneiro, que
conheço desde os tempos em que partilhámos o Comité das Regiões da UE e
em que ele era Presidente de Câmara Municipal", referiu.César elogia "a determinação e o trabalho, na sua forma como no seu conteúdo, com que José Luís Carneiro tem liderado" o PS."Não
gostaria que se colocasse em dúvida essa minha avaliação com uma menor
participação da minha parte. O PS, com a sua atual liderança, já
eliminou muitas das rejeições que tinha e abriu novos espaços de
acolhimento a sensibilidades diferentes, a pessoas qualificadas e a
eleitores em geral. Esse trabalho, dará, certamente, a seu tempo, bons
frutos", defendeu, destacando a "postura expositiva, pedagógica,
construtiva e serena" de Carneiro que tem "uma liderança diferente entre
os maiores partidos portugueses".Questionado
sobre se o partido já fez a devida reflexão depois da hecatombe
das últimas legislativas, o presidente do PS considerou que os
socialistas conhecem já "muitas das razões" que os levaram ao "insucesso
eleitoral"."E acho que estamos a adquirir melhor consciência sobre como podemos inverter o que parecia ser uma tendência", disse.O
25.º Congresso Nacional do PS decorre nos dias 27, 28 e 29 de março, em
Viseu, depois de José Luís Carneiro ter sido reeleito secretário-geral
do PS, de novo sem oposição, nas diretas do passado fim de semana.