“As
suas qualidades intelectuais e a facilidade no seu relacionamento
pessoal tornaram-no uma ‘persona grata’ na sociedade e na política
açoriana”, escreveu o presidente do PS e antigo presidente do Governo
dos Açores, Carlos César, na sua página na rede social Facebook.Na
sua opinião, Laborinho Lúcio “deixa no país e nos Açores a melhor
imagem num cargo que, desde que foi criado, quase todos o pretenderam e
pretendem extinguir”.Segundo Carlos César,
“pode-se dizer que procurou fazer desse cargo uma provedoria do
pensamento político autonómico, mobilizando opiniões e congregando
diversidades”, acrescentou.“Mantivemos, a
Luísa [mulher de Carlos César] e eu, uma relação de proximidade, também
com a sua mulher, quer num plano informal quer enquanto agiu como
ministro da República para os Açores e mais tarde noutras funções.
Trabalhei com ele, em boa harmonia e com bons resultados, como
Presidente do Governo dos Açores”, disse.O
presidente do PS referiu, ainda, que Portugal “perde um servidor
público e um jurista de valor, um intelectual distinto, um escritor, um
homem de causas e um político sem máculas”.Álvaro
Laborinho Lúcio foi secretário de Estado da Administração Judiciária e
ministro da Justiça em 1990, durante o Governo de Cavaco Silva, e
ministro da República para os Açores, durante a presidência de Jorge
Sampaio.Foi também Procurador da República
junto do Tribunal da Relação de Coimbra, inspetor do Ministério
Público, Procurador-Geral-Adjunto da República, diretor da Escola da
Polícia Judiciária e do Centro de Estudos Judiciários.Na Nazaré, foi presidente da Assembleia Municipal.Mais recentemente, integrou a Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica Portuguesa.Laborinho
Lúcio nasceu na Nazaré em 01 de dezembro de 1941. Na juventude, foi
ator amador, tendo participado na criação do Grupo de Teatro da Nazaré.Ingressou
na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde se licenciou
em Direito e obteve o Curso Complementar de Ciências Jurídicas.Laborinho
Lúcio foi membro, entre outras, de associações como a APAV - Associação
Portuguesa de Apoio à Vítima e a CRESCER-SER, de que é sócio fundador.Entre
2013 e 2017, foi presidente do Conselho Geral da Universidade do Minho e
membro eleito da Academia Internacional da Cultura Portuguesa.Laborinho
Lúcio estreou-se na escrita de ficção narrativa em 2014, com “O
Chamador”, na Quetzal, editora pela qual lançou mais quatro títulos até
ao ano passado: “O Homem que Escrevia Azulejos”, “O Beco da Liberdade”,
“As Sombras de uma Azinheira” e o livro de crónicas e outros textos “A
Vida na Selva”.Já este ano, em março,
editou, pela Zigurate, com Odete Severino Soares e ilustrações de
Catarina Sobral, o livro “Marília ou a Justiça das Crianças”.Foi condecorado em 2005 pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo.