Carles Puigdemont apela a uma lista eleitoral unitária
Catalunha
7 de nov. de 2017, 12:20
— Lusa/AO online
Puigdemont
que se encontra em Bruxelas disse hoje, em entrevista à Catalunya
Ràdio, que a melhor forma de expressar a recusa da população catalã
contra a aplicação do artigo 155 da Constituição - que considera “um
golpe de Estado contra a democracia” - é a formação de uma lista
eleitoral alargada.
Segundo o presidente da Generalitat destituído, a lista eleitoral deve
integrar as forças que compunham o anterior governo regional (PDeCAT e
ERC) mas também a CUP e outras forças de esquerda “soberanistas”.“Perante
uma agressão tão forte do Estado espanhol, temos que estar unidos”,
afirmou acrescentando que é preciso enfrentar “uma situação de
emergência”. Pugdemont
voltou a admitir a possibilidade de encabeçar a lista unitária para
conseguir uma vitória capaz de enviar à Europa a mensagem de que a
intervenção junto das instituições catalãs “não é uma solução”.O
autoproclamado presidente da República da Catalunha reivindicou a
“refundação do espírito da Assembleia catalã” que foi a plataforma que,
desde os tempos da clandestinidade, uniu todas as formações catalãs que
lutaram contra a ditadura franquista. Puigdemont
sublinhou que as reivindicações históricas da Assembleia da Catalunha –
de “liberdade e amnistia” – voltam a ser atuais por causa da “onda
repressiva desencadeada pelo Estado espanhol” e pela “punição
autoritária”. Sobre
os objetivos que deveria ter um novo governo independentistas vencedor
das eleições de 21 de dezembro, Puigdemont indicou que a prioridade não
seria o culminar do processo iniciado pela aprovação da declaração de
independência por parte do parlamento regional, mas sim a recuperação
“da democracia e da liberdade”. “É
preciso desmascarar o artigo 155”, disse, sublinhando que o novo
governo vai encontrar uma “situação de emergência perante um Estado
espanhol que quer aniquilar a Catalunha como país”.Segundo
o ex-presidente da Generalitat, a “república só se pode afirmar a
partir de um marco democrático” e criticou o governo do PP.“Espanha
não mudou e é impossível dialogar com os fanáticos que a governam”,
afirmou classificando o Executivo como os “ultranacionalistas espanhóis”
que continuam a ser uma maioria.