A Cáritas de São Miguel pretende alargar a sua rede de
núcleos para assegurar a cobertura de toda a ilha no que toca ao apoio
aos mais desfavorecidos.Durante os últimos 15 anos, a instituição
expandiu a sua presença, através de 11 núcleos, a várias freguesias e a
quase todos os concelhos de São Miguel, com exceção do Nordeste, onde -
praticando a ação social e caritativa nas paróquias - identifica os
casos complicados e ajuda a satisfazer as necessidades básicas das
famílias. Apesar dessa presença, a verdade é que a Cáritas não tem
conseguido fazer chegar a sua ajuda a toda a ilha, o que faz aumentar as
preocupações num momento de crise em que há mais pessoas com
dificuldades por falta de emprego, perda de rendimentos e menor poder de
compra. “Os núcleos são, digamos, pontos avançados da Cáritas na
identificação das problemáticas sociais locais que se vão deparando. Uma
vez que, neste momento, nem todos os núcleos Cáritas conseguem cobrir a
totalidade de São Miguel, é intenção desta instituição e da sua direção
de alargar esta rede de cobertura de núcleos Cáritas - os tais núcleos
paroquiais - no sentido de efetivamente cobrir as necessidades de toda a
ilha”, sublinha o diretor técnico da organização ligada à Igreja.Atualmente,
a Cáritas de São Miguel está presente em Ponta Delgada, Lagoa, Ribeira
Grande, Vila Franca do Campo e Povoação, mas, mesmo nesses concelhos, há
freguesias que não beneficiam dos seus apoios.Assim, a instituição
pretende envidar esforços nos próximos meses, em articulação com as
paróquias, no sentido de serem criados novos núcleos que possam dar
resposta a todas as necessidades da população micaelense. “Isto porquê?
Avizinham-se tempos difíceis, tempos que a nível social poderão trazer
muitas dificuldades às famílias e nada melhor do que termos esses pontos
avançados nas freguesias para identificação dos casos mais complicados.
Só assim é que podemos depois atuar com mais algum rigor”, afirma.Filipe
Machado reconhece a implantação no terreno de outras instituições como
os Vicentinos e as misericórdias, “que também fazem um trabalho muito
similar e meritório”. “E nós também não queremos duplicar esforços.
Queremos é identificar quais são as freguesias que estão mais
necessitadas desse apoio a nível social e caritativo que certamente
surgirá nos próximos tempos, em função da conjuntura atual”, sustenta.Recorde-se
que o Serviço Diocesano da Pastoral Social vai realizar no Dia Mundial
dos Pobres, que se comemora a 13 deste mês, uma reunião com todos os
agentes da pastoral social da ilha Terceira, com vista à “otimização”
dos apoios da Igreja aos mais desfavorecidos, em cada comunidade local,
no conjunto das 165 paróquias açorianas. Em declarações ao Sítio
Igreja Açores, a socióloga Piedade Lalanda, responsável pelo serviço
diocesano, deixou claro que o grande desafio é “otimizar estes recursos,
onde eles existam, e criar novos impulsos na dinâmica social das
comunidades”, não escondendo que a Cáritas e os Vicentinos “fazem muito,
mas há alguns lugares onde nem esta realidade ainda existe”.