Cáritas pede plano nacional contra o empobrecimento
Covid-19
27 de out. de 2020, 18:35
— Lusa/AO Online
Eugénio
Fonseca falava aos jornalistas, no Palácio de Belém, em Lisboa, após
uma audiência com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ao
qual transmitiu uma iniciativa conjunta da Cáritas com as cooperativas
agrícolas e com as caixas de crédito agrícola que visa doar apoio
alimentar - em dinheiro ou alimentos - às famílias e instituições mais
carenciadas."Vamos entrar em períodos
muito difíceis", afirmou Eugénio Fonseca, manifestando a sua preocupação
com os jovens que ficaram sem rendimentos ou ficaram com rendimentos
mais baixos, fruto da falta de trabalho por causa da pandemia, e tiveram
de regressar à casa dos pais.O dirigente da Cáritas Portuguesa advertiu também que "a pobreza das famílias monoparentais acentuou-se" com a pandemia. "Há
famílias que nos procuram para pagar água, luz e gás", exemplificou,
sublinhando que "a crise socio-económica" resultante da covid-19 "foi
abrupta e agressiva" e fez e emergir a "pobreza envergonhada".Eugénio
Fonseca defende um plano nacional contra o empobrecimento, mais do que
um plano de luta contra pobreza, para que as pessoas possam continuar a
ter acesso à educação, à saúde e à habitação, e avisou que a "espiral do
endividamento" pode ser "altamente perturbadora".O
Governo criou uma comissão de coordenação para elaborar, até 15 de
dezembro, a estratégia nacional de combate à pobreza para "mitigar as
desigualdades" entre os cidadãos, em tempos de pandemia, segundo um
comunicado divulgado em meados de outubro pelo Ministério do Trabalho,
Solidariedade e Segurança Social.O
presidente da Cáritas Portuguesa reafirmou hoje que 50 mil pessoas
pediram ajuda à organização no primeiro semestre de 2020, um aumento de
48% face ao período homólogo de 2019, com o "pico maior" de pedidos a
registar-se entre abril e maio devido à pandemia. Do total de pedidos, a
Cáritas atendeu cerca de 29 mil.