Cáritas cria grupo de trabalho interno para definir plano de ação em emergências
13 de nov. de 2017, 08:34
— Lusa/AO Online
O Conselho Geral
da Cáritas Portuguesa reuniu-se no sábado e hoje em Fátima, onde
estiveram representadas 17 Cáritas Diocesanas, das 20 que o constituem."Além
da parte estatutária e do orçamento do próximo ano", foi "decidido
criar um grupo de trabalho, com o apoio do especialista Caldeira Dias,
para ser criado um plano de intervenção em situações de emergência",
adiantou Eugénio Fonseca.Este
plano, adiantou, será aplicado pela Cáritas de Portugal, em articulação
com as restantes Cáritas e instituições de proteção civil.O
objetivo é que "fique clarificado o lugar [que a Cáritas] deve ocupar
neste tipo de intervenção, queremos apostar forte na prevenção",
sublinhou.Este
grupo de trabalho, que deverá apresentar medidas "dentro de quatro a
seis meses", "não vai tratar apenas de incêndios, mas também de cheias e
sismos", segundo o presidente da Cáritas Portuguesa.O
responsável disse ainda que nestas medidas está incluído um "plano de
formação básica para todos aqueles que o pretendam" frequentar."Queremos
estar preparados para a próxima época de incêndios", sublinhou,
recordando que desde que lidera a Cáritas que praticamente todos os anos
o país é assolado por fogos, sendo que este ano se "tratou de uma
situação muito especial", onde morreram mais de 100 pessoas em Portugal."Temos
um tempo até ao verão para criar condições para prevenir aquilo que
pode ser perfeitamente atenuado. É preciso controlo, fiscalização e
limpeza das florestas", o que deve ser acompanhado de "luta contra a
desertificação", considerou.Do
encontro, saiu reforçada a necessidade de integrar no plano de ação de
emergências uma resposta de apoio psicológico e espiritual adaptada às
circunstâncias da população e aos dramas vividos, segundo a entidade.Relativamente
aos incêndios deste ano, Eugénio Fonseca questionou o que vai acontecer
às pessoas depois de lhes serem entregues as casas reconstruídas. "Quem
as vai ajudar a conviver com esta tragédia", perguntou, defendendo a
necessidade de apoio psicológico, uma vez que as pessoas vão ter de
lidar com as "recordações"."Gostaríamos
de ter psicólogos e preparar pessoas da vizinhança, que podem ser o
farmacêutico, o dono da mercearia ou a igreja, para perceberem quando é
que surgem esses momentos de nostalgia" e, desse modo, ajudar a evitar
"doenças como a depressão ou psicossomáticas".Na sua opinião, "não se pode entregar a chave [às pessoas] e pensar que tudo está concluído".Eugénio
Fonseca alertou ainda para que, apesar de Portugal estar numa "situação
económica bem diferente da que atravessou nos últimos anos", é preciso
ter cautelas."Os
postos de trabalho que estão a ser criados são estáveis? Os salários
são suficientes?", questionou, acrescentando haver a "sensação de que
muita gente está a trabalhar com magros salários e a pagar os seus
empréstimos".Além
disso, apesar da situação económica mais favorável, "temos de estar
atentos para que este otimismo não nos leve para a sedução de um mercado
que não olha a meios" para que as pessoas gastem mais do que podem."Há
que dar sustentabilidade a esta ténue situação favorável do país, é bom
ter a consciência de que a crise ainda não passou", já que há
"desempregados de longa duração", com pouco mais de 30 anos, "com uma
vida pela frente", concluiu Eugénio Fonseca.