Cardiff sem indemnização de 122 milhões do Nantes pela morte de Emiliano Sala
Hoje 16:58
— Lusa/AO Online
O Tribunal de Comércio de Nantes não
validou as pretensões do Cardiff, justificadas com perdas de receita
estimadas com a morte do atleta, em voo sobre o Canal da Mancha, na
viagem que fazia de França para se juntar ao novo emblema, no País de
Gales.Os galeses fizeram uma projeção de
pontos e golos esperados pelo desempenho do avançado, pelo que o facto
de nunca ter jogado contribuiu para a descida à segunda divisão inglesa
em 2019, ano da tragédia, facto que provocou uma queda acentuada nas
receitas.“Avançámos com este processo para
que toda a verdade fosse apurada neste caso, no respeito pela memória
de Emiliano Sala. Hoje, constatamos com amargura que os princípios de
transparência, integridade e segurança no futebol profissional não se
impuseram nesta decisão”, queixou-se a advogada do Cardiff City, Céline
Jones, ao lado da mãe de Emiliano Sala, que preferiu não prestar
declarações.Ao invés, o queixoso foi
condenado a pagar 480.000 euros ao Nantes, repartidos em 300.000 por
danos morais e 180.000 por despesas de representação legal.“O
FC Nantes não é de forma alguma responsável pela tragédia ocorrida e
congratulamo-nos por o tribunal nos ter ouvido e confirmado isso em
termos claros”, reagiu o advogado dos gauleses, Jérôme Marsaudon.Emiliano
Sala morreu aos 28 anos num acidente com um avião privado ocorrido a 21
de janeiro de 2019, quando se preparava para se juntar ao Cardiff, que
tinha acordado pagar ao Nantes 17 milhões de euros pelo seu passe.Num
outro processo do litígio entre os clubes, o Tribunal Arbitral do
Desporto (TAS) considerou, em 2022, que a transferência do jogador
estava efetivamente concluída no momento da sua morte, pelo que em 2023 a
FIFA ordenou ao Cardiff que pagasse ao FC Nantes o valor ainda em
dívida, pouco mais de 11 milhões de euros, de um total de 17 milhões.Willie
McKay, intermediário da operação, foi o responsável pela contratação do
voo privado que terminou em tragédia e no qual foram apontadas várias
irregularidades, entre as quais o facto de o piloto não ter licença para
voar, situação que seria desconhecida do agente.O Cardiff entende que a organização do voo estava a cargo do Nantes, responsabilizando-o por esse facto.