Cardeal Manuel Clemente destaca atitude de Francisco de "ir ao encontro do outro"
Óbito/Papa
21 de abr. de 2025, 11:26
— Lusa/AO Online
O
Papa Francisco “colocou-nos constantemente nas fronteiras do Evangelho,
ou seja, naquelas fronteiras que, muitas vezes, são descuidadas por
nós, dos mais pobres, dos conflitos que nunca acabam, de tudo aquilo que
são tristezas de muita gente”, disse o cardeal Manuel Clemente, em
declarações divulgadas pela agência Ecclesia.O
patriarca emérito de Lisboa, que é um dos quatro cardeais portugueses
que irão participar na eleição do sucessor de Francisco, considera,
também, que Francisco foi “um construtor”, com “um papado que também
deixa muitas marcas nesse sentido, demolindo aquilo que era preciso
demolir e reconstruindo aquilo que era preciso reconstruir”.Manuel
Clemente recorda ainda a passagem do pontífice argentino por Lisboa, em
2023, para a Jornada Mundial da Juventude, para destacar “a troca de
olhares entre o Papa e aquelas multidões” de jovens que participaram no
encontro mundial.“Era impressionante ver,
quer do lado dele, quer do lado, digamos, das multidões, que eram
milhares e milhares de pessoas ao longo das ruas, [quer] essa troca de
olhares estava cheia de evangelho, quer na expectativa, quer na
resposta. Na expectativa de uns, quer na resposta dele, um olhar que
falava por si”, disse Clemente.Também em
declarações à agência Ecclesia, a diretora da Obra Portuguesa das
Migrações (OCPM), Eugénia Quaresma destacou a atenção dada pelo Papa
Francisco aos migrantes e aos mais frágeis.“Para
as migrações é um legado gigante. Foi colocar as migrações no centro,
não só no centro da agenda da igreja, mas também do mundo”, afirmou,
sublinhando que o Papa teve também a capacidade de “ajudar a trazer para
o centro todos aqueles que estavam mais esquecidos”.Para Eugénia Quaresma, o Papa deixa a “marca da humildade, (…) da firmeza, (…) da fidelidade ao Evangelho (…) e da oração”.A morte do Papa Francisco foi anunciada pelo cardeal Kevin Ferrell, Camerlengo da Câmara Apostólica.