Cardeal italiano condenado por fraude renuncia à presença no Conclave
29 de abr. de 2025, 10:35
— Lusa/AO Online
Becciu
tem estado a participar nas Congregações Gerais, reuniões de cardeais
que são feitas quase diariamente num período de Sede Vacante para fazer a
gestão quotidiana do Vaticano, mas, segundo duas fontes contactadas
pela Lusa, ter-lhe-ão sido mostradas cartas assinadas por Francisco a
indicar que não o queria no Conclave. “Tendo
em mente o bem da Igreja, que servi e continuarei a servir com
fidelidade e amor, bem como contribuir para a comunhão e a serenidade do
conclave, decidi obedecer, como sempre fiz, à vontade do Papa Francisco
de não entrar no conclave, mantendo-me convencido da minha inocência”,
referiu, em comunicado, o cardeal, de 76 anos.Becciu,
nascido na Sardenha, era muito próximo do Papa e foi nomeado cardeal
por Francisco, tendo assumido responsabilidades elevadas na Cúria
romana, particularmente na Congregação para a Causa dos Santos e na
Secretaria de Estado. Por desvios
financeiros, entre as quais a aquisição de um imóvel de luxo em Londres
com dinheiro de uma coleta anual para obras de caridade, o antigo
conselheiro de Francisco foi condenado no final de 2023, em primeira
instância, a cinco anos e meio de prisão, pela justiça da Santa Sé.O cardeal recorreu da sentença e está a aguardar em liberdade o recurso. Em 2020, foi afastado de quaisquer funções, mas conservou o título de cardeal. Após a morte de Francisco, na semana passada, o cardeal disse à imprensa italiana que poderia participar no Conclave.Becciu
está abaixo do limite de idade de 80 anos e tecnicamente elegível para
votar, mas as estatísticas oficiais do Vaticano listam-no como um
“não-eleitor”.O documento do Vaticano que
regula um conclave, conhecido pelo seu nome latino Universi Dominici
Gregis, estabelece os critérios para os eleitores, deixando claro que os
cardeais com menos de 80 anos têm o direito de eleger o Papa, exceto
aqueles que foram “canonicamente depostos ou que, com o consentimento do
Romano Pontífice, renunciaram ao cardinalato”. Após a morte de um papa, “o Colégio dos Cardeais não pode readmiti-lo ou reabilitá-lo”, refere o documento.Em
2020, os serviços de imprensa do Vaticano referiram que Francisco havia
aceitado a renúncia de Becciu como prefeito da Congregação para as
Causas dos Santos “e seus direitos ligados ao cardinalato”. Depois
de forçar a demissão de Becciu, Francisco visitou-o em algumas ocasiões
e permitiu-lhe participar na vida do Vaticano, mas também alterou a lei
do Vaticano para permitir que o tribunal criminal da cidade-Estado o
processasse.