Capital chilena sem militares nas ruas pela primeira vez desde início dos protestos
24 de out. de 2019, 16:36
— Lusa/AO Online
A capital chilena tenta
agora recuperar a normalidade, com o metropolitano de Santiago a
funcionar parcialmente em três linhas, o serviço urbano de autocarros a
operar normalmente e as lojas a reabrir portas. "A
situação de ordem pública e de segurança dos cidadãos está a melhorar",
assegurou o Presidente do Chile, Sebastián Piñera, que ainda mantém
quase todo o país em estado de emergência, com as forças armadas
encarregadas de garantir a segurança, após ter voltado a decretar na
noite passada o recolher obrigatório em muitas cidades.No
entanto, várias escolas e universidades continuam com aulas suspensas
e, pelo menos até hoje, os dias continuam com a mesma rotina, com
milhares de cidadãos a concentrarem-se em diferentes praças e ruas de
maneira pacífica.Paralelamente às
concentrações pacíficas, alguns grupos continuam a provocar distúrbios e
a queimar e saquear espaços comerciais e hotéis, como aconteceu na
quarta-feira.Após uma semana de protestos
contra o aumento do preço dos bilhetes do metropolitano na região da
capital chilena, as manifestações aumentaram de tom na passada
sexta-feira com incêndios em estações de metro, supermercados e armazéns
com grupos de pessoas a saquear lojas.Com
a declaração do estado de emergência e a presença das forças policiais e
militares nas ruas, houve vários casos de alegados abusos e violações
de direitos humanos. Segundo o Instituto
Nacional de Direitos Humanos do Chile (INDH), um organismo público
independente, pelo menos cinco das 18 vítimas mortais até agora
registadas deveram-se a ações das forças de segurança.Em
seis dias de protestos, o INDH contabilizou 2.410 detidos, dos quais
898 em Santiago, e 535 feridos, dos quais 210 por armas de fogo, números
estes superiores aos do último relatório do Governo chileno, que
referiu apenas 197 feridos até quarta-feira.A
organização de direitos humanos já entrou com 55 ações judiciais pelas
situações relatadas durante os confrontos entre manifestantes e as
forças de segurança.Os manifestantes
exigem ao Governo chileno que ponha em prática reformas estruturais nos
subsídios de reformas e pensões, educação e saúde, por forma a acabar
com a desigualdade social entre os cidadãos.Hoje
de manhã [hora local], a Câmara dos Deputados aprovou, com 67 votos a
favor, 31 contra e 14 abstenções, uma comissão para investigar os
ministérios do Interior e da Defesa na sequência da declaração do estado
de emergência e a atuação das forças de segurança, polícias e militares
na repressão das manifestações.