Capacidade instalada do modular deve ser usada no novo hospital

Hoje 09:20 — Ana Carvalho Melo

O presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, revelou que o Executivo recomendou que o plano funcional do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) valorize a capacidade instalada do módulo hospitalar e evite intervenções fora do perímetro do atual edifício.“Houve uma comissão que realizou um relatório [de análise dos planos funcionais], que o Conselho do Governo apreciou e deu indicações para o refazer de um plano funcional, que tenderá a uma fusão entre duas propostas e que foi devolvido ao Conselho de Administração do HDES, com algumas recomendações. As recomendações do Governo foram claras: em primeiro lugar, aproveitar a capacidade instalada com o modular; e, em segundo lugar, não fazer intervenções fora do perímetro do atual hospital, garantindo que, não sendo um novo hospital, é um hospital novo dentro do perímetro que já existe”, revelou no final de uma reunião com a Mesa do Conselho de Ilha de São Miguel.O presidente do Executivo Regional revelou ainda que o Governo recomendou que seja assegurada a oferta para o tratamento dos hemodialisados e que haja uma racionalidade que se compare com a lógica estatística nacional, considerando as especificidades ultraperiféricas da realidade insular.De acordo com José Manuel Bolieiro, este plano, que foi enviado para o Conselho de Administração para ser refeito, voltará ao Conselho do Governo para apreciação e, depois, entrará em fase de projeto, não estando ainda estabelecido um calendário fechado para a apresentação do projeto final.“Estamos a planear para um futuro de longo prazo. Não vamos adiantar valores agora, mas vamos fazê-lo com sentido de responsabilidade e sustentabilidade”, afirmou.Sobre o financiamento para a reconstrução do HDES, o governante reconheceu a necessidade de ter uma “visão de sustentabilidade”.“Temos a garantia, felizmente, de colaboração do Estado, designadamente no que diz respeito à reabilitação do HDES em 85%. Não vou criar através de uma mensuração, que não é possível fazer agora, qualquer adiantamento de valores, mas vamos fazê-lo com sentido de responsabilidade”, disse.Ainda sobre a reunião, José Manuel Bolieiro revelou que esta ocorreu numa “nova atitude”, que contempla as ilhas que não têm visitas estatutárias: São Miguel, Terceira e Faial. “É uma oportunidade de diálogo, ainda que esta não preencha na totalidade esse objetivo, e por isso reprogramámos novo encontro para tratar outros assuntos”, explicou.O presidente do Conselho de Ilha de São Miguel, Jorge Rita, destacou que o encontro resultou de um compromisso prévio para realizar reuniões com a Mesa do Conselho de Ilha de São Miguel e, futuramente, com todos os conselheiros.Neste encontro, o foco foi a saúde, devido à “pertinência que toda essa temática tem”, em consequência do incêndio no HDES e da necessidade de garantir qualidade e segurança nos cuidados prestados à população.Segundo Jorge Rita, existem propostas para o “novo hospital” e há muito trabalho a ser feito nesta área que, embora ainda seja “invisível”, é extremamente importante.O presidente do Conselho de Ilha ainda salientou a importância da proximidade dos centros de saúde para aliviar a pressão sobre o hospital de Ponta Delgada, tendo destacado os investimentos na reabilitação e construção de unidades em várias localidades.“As questões de complementaridade, que para nós são extremamente importantes, passam pela proximidade dos centros de saúde que estão a ser reabilitados e de outros que irão ser construídos nas localidades da Maia, Livramento e Ribeira Grande. Esta proximidade é vital e de grande importância para as pessoas”, referiu.O presidente do Conselho de Ilha demonstrou ainda preocupação com o impacto financeiro das intervenções na área da saúde, afirmando ser necessária uma “reflexão sobre quanto poderá custar toda essa situação”. E neste contexto sublinhou que o “provisionamento económico” deve ser alvo de cautela, sem nunca comprometer a segurança e a qualidade dos cuidados de saúde prestados aos açorianos.