Canoísta olímpico Fernando Pimenta pede maior investimento público no desporto
Hoje 12:42
— Lusa/AO Online
"Vivemos um bocadinho na sombra do futebol", afirmou o medalhado olímpico, durante um painel da ExpoFut, realizado na sede da Liga Portugal, no Porto, com a participação da antiga triatleta Vanessa Fernandes.Pimenta questionou a aplicação da taxa normal de IVA de 23% a artigos desportivos, o que considera contraproducente perante a procura de incentivar a atividade física, enquanto se mantém uma elevada carga fiscal sobre os equipamentos necessários à sua prática.O canoísta defendeu uma redução da tributação, propondo que parte das receitas arrecadadas reverta diretamente para o financiamento do desporto, como forma de estimular a prática desportiva e melhorar as condições dos atletas.O medalhado olímpico denunciou ainda as dificuldades enfrentadas diariamente, nomeadamente problemas de climatização e de acesso a água quente nas instalações onde treina."A única coisa que separa o exterior do interior do nosso ginásio é uma chapa de inox. Às vezes, até faz mais frio dentro do ginásio do que fora", relatou.Pimenta considerou que estas adversidades obrigam os atletas a desenvolver uma resiliência acrescida e lamenta a desigualdade de recursos entre modalidades, apesar dos resultados internacionais alcançados pelos representantes portugueses."Hoje em dia, sinceramente, é mais por satisfação e prazer por aquilo que faço, não pelos apoios que tenho no momento", admitiu o canoísta, que continua em atividade.Também Vanessa Fernandes considerou que Portugal tem "muito caminho a fazer" no acompanhamento dos desportistas, sobretudo no período posterior ao fim da carreira, apontando à necessidade de uma maior intervenção pública na preparação para essa transição."No desporto, nós nunca sabemos quando é que é o final da nossa carreira. Não existe aquela parte em que, aos 60 anos, estou reformada. Podes parar aos 30 e começa uma nova vida", alertou a medalhada de prata nos Jogos Olímpicos Pequim2008.A antiga triatleta sublinhou a importância da formação académica e do desenvolvimento de outras competências, considerando que a ausência de uma base sólida pode tornar particularmente difícil a adaptação à vida depois da alta competição."Não é ser esquecido. Para mim, é mais a forma como continuam a ser tratados ou integrados na sociedade", salientou Vanessa Fernandes, defendendo que os atletas devem ter liberdade para escolher um novo percurso profissional.