Candidatos avançam para campanha incerta com menos pessoas e mais precauções

Presidenciais

9 de jan. de 2021, 12:18 — AO Online/ Lusa

A campanha oficial a Belém ainda nem arrancou e já está condicionada pela pandemia que tem tido uma evolução significativa nos últimos dias, o que obrigou as sete candidaturas presidenciais a adotar novas medidas de segurança nos eventos a realizar, ainda que a agenda para os dias 10 a 22 de janeiro seja bastante incerta.O atual Presidente e recandidato, Marcelo Rebelo de Sousa, está em vigilância e impedido de se juntar a "aglomerações significativas" até ao dia 18 de janeiro, na sequência do contacto com um elemento da sua Casa Civil infetado com o novo coronavírus, pelo que até esse dia não tem qualquer ação de campanha prevista.Nesse sentido, e apesar de o contacto ter sido considerado de baixo risco pelas autoridades de saúde, Marcelo terá uma agenda ocupada sobretudo com entrevistas, cerca de meia dúzia, durante o período oficial de campanha para as eleições presidenciais de 24 de janeiro, que começa no domingo, dia 10, e debates com outros candidatos.Admitindo que a forma como irá decorrer a campanha é “uma incógnita total”, a candidatura da socialista Ana Gomes conta realizar visitas mantendo o modelo até agora adotado para a pré-campanha, com a redução de pessoas, exemplificando que “houve situações em que só foi permitido estar 10% da lotação, num espaço com lotação para 300”.O candidato apoiado pelo Chega, André Ventura, não deverá abdicar de alguns formatos habituais de campanha, adaptados à pandemia.A agenda do deputado para os primeiros dias oficiais de estrada prevê a realização de arruadas, comícios e concentrações, com recurso a regras sanitárias como a utilização de máscara, estando a restante campanha dependente da evolução do contexto pandémico.Quanto à candidata bloquista Marisa Matias, o diretor de campanha, Adriano Campos, adiantou à Lusa que todas as iniciativas serão adaptadas ao contexto de pandemia, sendo que “nunca estiveram previstas arruadas, nem almoços ou jantares de campanha” e que todos os elementos e jornalistas que acompanham a eurodeputada serão testados ao novo coronavírus.O modelo dos comícios foi ajustado e já testado com uma versão onde os participantes estarão maioritariamente online e apenas alguns presencialmente, no local onde se realizam, de forma a cumprir as regras sanitárias.Por seu turno, o dirigente comunista João Ferreira, que tem sido dos mais ativos na pré-campanha, já fez saber que a programação da sua campanha “está em revisão, designadamente com a anulação de ações de almoços, jantares, arruadas e desfiles”.“Serão mantidas iniciativas de esclarecimento, cujas características e organização permitam assegurar todas as condições de proteção sanitárias, nomeadamente sessões públicas”, pode ler-se na nota enviada à comunicação social.Fonte oficial da candidatura do liberal Tiago Mayan Gonçalves garantiu que a campanha será “pautada pela responsabilidade e bom senso”, que os eventos serão “sempre planeados com poucas pessoas” e em caso de um confinamento mais restrito, serão realizados eventos ‘online’ como forma de chegar aos eleitores.Já Vitorino Silva, fundador do RIR (Reagir, Incluir, Reciclar), pretendia inicialmente fazer uma campanha mantendo o contacto “porta a porta” com a população, contudo, face ao aumento no número de infeções e óbitos diários registado nos últimos dias, o candidato garantiu que vai alterar a campanha em função da evolução da pandemia.“Se o povo for para casa eu também vou. Não quero as mordomias dos partidos”, disse o candidato, que já chegou mesmo a defender o adiamento das eleições.As eleições presidenciais, que se realizam em plena epidemia de covid-19 em Portugal, estão marcadas para 24 de janeiro e esta é a 10.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.