Candidatos ao COI apresentam visões com preocupações financeiras e de atração de público
30 de jan. de 2025, 17:27
— Lusa/AO Online
Em sessões de apenas 15
minutos, decorridas à porta fechada e sem direito a perguntas por parte
dos membros da Assembleia do COI, os aspirantes à sucessão de Thomas
Bach resumiram as suas ideias para o futuro do organismo, num misto de
autopromoção e reivindicação de ‘trunfos’ e propostas concretas.Única
mulher (e mais jovem) entre os candidatos, a antiga nadadora Kirsty
Coventry, do Zimbabué, defendeu que quer ocupar o cargo por competência e
não pelo seu sexo, refutando ainda o estatuto de preferida do ainda
presidente.Sete vezes medalhada olímpica, a
também ministra do Desporto zimbabueana, de 41 anos, quer “encontrar
mais formas de chegar aos desportistas antes de estes se tornarem
olímpicos” e identificar programas de apoio para quando acabem as suas
carreiras.Curiosamente, foi outro
candidato a mencionar África na sua apresentação, no caso David
Lappartient, presidente da União Ciclista Internacional (UCI) e do
Comité Olímpico Francês, apologista de uma edição dos Jogos Olímpicos
naquele continente. Em declarações aos
jornalistas em Lausana, depois de ter oferecido a sua visão aos membros
da assembleia do COI, Lappartient também defendeu que a Rússia não pode
ficar “indefinidamente suspensa” do movimento olímpico, porque é “um
país de desporto”, ressalvando, contudo, que é prematuro ponderar um
regresso dos desportistas russos já nos Jogos de Inverno de 2026.Já
Johan Eliasch, presidente da Federação Internacional de Esqui e
Snowboard, é favorável a que a exclusão de russos e bielorrussos se
mantenha, até porque o programa de desportistas neutros que vigorou em
Paris foi, na sua opinião, um sucesso. “Apresento-me
a estas eleições porque tenho experiência para o cargo. Liderei
importantes negociações comerciais e políticas e, nos últimos quatro, a
transformação da FIS”, evocou, lembrando que a luta pela presidência do
COI não é “um concurso de popularidade”. Quem
também recorreu ao seu currículo para atestar a sua competência para o
cargo foi Juan Antonio Samaranch Jr., que acredita que a sua experiência
na gestão de empresas é uma mais-valia para o COI, uma vez que “as
receitas de ontem já não valem hoje em dia”.“Distribuímos
a maioria do que ganhamos pela base desportiva. Isso requer diplomacia,
política e gestão. […] Candidatei-me porque tenho experiência em ambos
os campos. Estive no movimento olímpico em momentos críticos e também
estive em cargos decisivos na minha própria empresa”, destacou aquele
que é um dos quatro atuais vice-presidentes do organismo. Já
para Sebastian Coe o grande desafio que o COI enfrenta é captar as
audiências, sobretudo as mais jovens, da qual vão sair “os futuros
líderes, patrocinadores e políticos”.“Precisamos
de criar um vínculo vitalício entre eles e o desporto, é a única forma
de colocar o desporto no topo das agendas dos governos”, reforçou o
ainda presidente da World Athletics. Também
pensando em atrair mais público o japonês Morinori Watabane propõe uns
Jogos Olímpicos universais: “Os Jogos de Paris foram uns grandes Jogos,
mas muitos comités olímpicos tiveram problemas económicos. Com uns Jogos
em cinco continentes, as televisões teriam transmissões durante 24
horas”. O presidente da Federação
Internacional de Ginástica considera que a presença do desporto em
alguns países “não é tão significativa”, uma ideia partilhada pelo
príncipe Feisal al Hussein, da Jordânia.“O
desporto não pode resolver todos os problemas do mundo, mas tem
potencial para ajudar a tornar o mundo um lugar melhor e mais pacífico”,
disse o membro do COI, que defendeu o potencial dos países mais
pequenos e do desporto como elemento integrador, nomeadamente através
dos refugiados, e alertou para as dificuldades enfrentadas pelos comités
olímpicos nacionais mais pequenos, propondo ainda a criação de polos
regionais do COI. O sucessor de Thomas Bach vai ser conhecido na 144.ª Sessão do COI, agendada entre 18 e 21 de março, na Grécia.