Cancro numa criança penaliza família em mais 650 euros mensais
2 de set. de 2024, 11:47
— Lusa/AO Online
O estudo baseado
num inquérito é divulgado hoje pela Acreditar – Associação de Pais e de
Amigos de Crianças com Cancro, criada em 1994 para minimizar o impacto
da doença oncológica, no jovem e na sua família.A
propósito da efeméride a associação, em comunicado, explica que dedica
este mês internacional a alertar a sociedade para o impacto da doença na
família, a par das comemorações dos 30 anos da Acreditar, com o mote:
“Quando o cancro se mete no caminho, ninguém vai sozinho”.Recordando
que em Portugal surgem anualmente cerca de 400 novos casos de cancro em
crianças, a associação cita “evidências de vários especialistas e
estudos” para dizer que “um diagnóstico de cancro numa criança afeta
entre 50 e 100 pessoas”, entre familiares próximos e de família
alargada, amigos, colegas, professores e comunidade.A
Acreditar explica que o inquérito se destinou a identificar as
dificuldades das famílias, tendo os resultados apontado “para a
necessidade de mudanças que visem uma maior qualidade de vida para
doentes, cuidadores e sobreviventes”. Tendo
a participação de 472 famílias, concluiu-se que aumentam as despesas e
diminuem os rendimentos quando um filho ou filha tem cancro.“A
média mensal, entre mais gastos e menos rendimento, é de 654,45€. São
mais 21% do que em 2017, ano em que Acreditar fez um inquérito idêntico a
nível nacional”, explica-se no comunicado.No caso dos trabalhadores por conta própria, destaca a Acreditar, o valor de mais gastos e menos rendimento chega aos 844 euros.Segundo
o documento o que mais contribui para o aumento da despesa é o
transporte, com 67% das famílias a optar por usar automóvel, até porque o
sistema imunitário do doente fica frequentemente fragilizado. E despesa suplementar também na alimentação, que é mais cuidada, e na medicação.“A
perda de rendimento deve-se, sobretudo, ao facto de o subsídio de
acompanhamento a filho com doença oncológica ser pago apenas a 65% ou,
em alguns casos, à necessidade de um dos pais se desempregar para poder
acompanhar o filho doente, ou de o desemprego lhe ser imposto”, nota a
associação.A Acreditar defende a
importância de “reforçar a necessidade de se alterar o valor deste
subsídio para a totalidade do ordenado auferido anteriormente ao
diagnóstico. Como é importante, segundo a maior parte dos pais, que o
outro cuidador tenha direito à licença de acompanhamento nas fases
críticas da doença.Ainda de acordo com os
resultados do inquérito, após a alta, 34% dos sobreviventes responderam
não serem seguidos numa consulta de acompanhamento, o que reforça “a
necessidade da implementação de consultas estruturadas de
sobrevivência”. Os cuidadores também se
queixam da falta de recursos humanos e materiais, ou da falta de
investimento global do país em novos tratamentos de maior precisão,
direcionados para a especificidade do tumor dos seus filhos (o cancro
pediátrico engloba 12 tipos e mais de 100 subtipos). A
Acreditar, presente em Lisboa, Coimbra, Porto e Funchal, vai celebrar
os 30 anos com uma reflexão sobre o que mudou na oncologia pediátrica e o
que ainda é preciso mudar. A
sensibilização para o cancro infantil é este mês promovida em todo o
mundo. Só na Europa registam-se cerca de 35.000 novos casos em cada ano,
6.000 deles fatais. A maioria do meio milhão de sobreviventes na Europa
tem efeitos adversos que constrangem a qualidade de vida.A
Organização Mundial de Saúde estima que em cada ano 400.000 crianças e
adolescentes desenvolvam cancro no mundo, sendo mais frequentes as
leucemias, os cancros no cérebro ou os linfomas. Nos países ricos mais
de 80% das crianças com cancro são curadas mas nos países pobres esse
valor fica abaixo de 30%.