Cancro infantil teve impacto mensal de 655 euros por doente nas famílias em 2024
29 de ago. de 2025, 15:49
— Lusa/AO Online
No início do
“setembro dourado”, mês de sensibilização para o cancro infantil, a
Acreditar alerta que “é urgente corrigir injustiças” na assistência a
crianças com doença oncológica.“No último
levantamento de problemas em oncologia pediátrica feito pela Acreditar,
em 2024 verificou-se que as famílias enfrentam em média um impacto
mensal de 655 euros após o diagnóstico, resultante da soma entre perdas
de rendimento e aumento de despesas”, refere a associação em comunicado.De
acordo com a Acreditar, é necessário manter o rendimento das famílias
anterior ao diagnóstico, e não os atuais 65%, permitir que ambos os
cuidadores possam usufruir de licença nas fases mais críticas e eliminar
o teto de dois Indexantes de Apoios Sociais, que reduz de forma
significativa a proteção de muitas famílias. “Estas
mudanças são essenciais para garantir estabilidade financeira num
momento em que tudo o resto já é incerto”, sustenta o organismo criado
em 1994.A Acreditar defende que é “tempo
de agir” nos apoios sociais, na organização dos cuidados e na resposta
aos jovens adultos com cancro, considerando que “há sinais de pressão
preocupante nos serviços de oncologia pediátrica e faltam políticas que
deem resposta às especificidades dos jovens adultos com cancro”.“Os
serviços de oncologia pediátrica estão a enfrentar pressões
significativas, com impacto direto no acompanhamento das crianças,
adolescentes e famílias. A falta de profissionais especializados agrava a
situação e cria um risco real para a qualidade da resposta no futuro.
Portugal precisa de reorganizar esta área, assegurando que os recursos
são bem alocados, que existem equipas dedicadas, que se juntam cuidados
com investigação”, realça. Para a
associação, Portugal deve aprender com o que está a ser feito em alguns
países europeus e transformar a oncologia pediátrica num modelo-piloto
de reorganização do sistema de saúde.“A
organização dos cuidados deve assentar em infraestruturas dedicadas,
equipas multidisciplinares e centralização das áreas mais complexas,
garantindo qualidade e equidade em toda a Europa”, sublinha.Recordando
que nenhuma criança, jovem ou família deve enfrentar o cancro sozinho, a
Acreditar lamenta que os adolescentes diagnosticados com a doença
“continuam em terra de ninguém, sem respostas adequadas às suas
necessidades” e defende que “devem existir programas de transição
planeados para esta faixa etária, com planos de cuidados de
sobrevivência personalizados e acompanhamento ao longo da vida”.No
âmbito do mês de sensibilização para o cancro infantil e do seu 30.º
aniversário, a Acreditar promove um programa de conferências, que
encerra em 11 de outubro, em Coimbra.As
comemorações da associação terminarão com um concerto de Sérgio Godinho
no Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa, a 25 de outubro, às 20:00.