Canadá diz que pedido de desculpas do Papa aos indígenas não é suficiente
28 de jul. de 2022, 11:10
— Lusa/AO Online
A
reação oficial do governo ocorreu quando Francisco chegou à cidade de
Quebeque para reuniões com o primeiro-ministro, Justin Trudeau, e a
governadora-geral Mary Simon, no âmbito da segunda etapa da visita de
uma semana de Francisco ao Canadá.O Papa
Francisco pediu na segunda-feira “perdão pelo mal cometido” contra os
nativos do Canadá, em particular nos internatos para crianças geridos
pela Igreja Católica, e lamentou que alguns dos seus membros tenham
“cooperado” em políticas de “destruição cultural”."Estou
triste. Peço perdão", referiu o sumo pontífice da Igreja Católica a
milhares de nativos em Maskwacis, no oeste do Canadá, país onde chegou
no domingo para uma “peregrinação penitencial”, um gesto esperado há
anos.Referindo-se a um “erro devastador”, o
Papa Francisco reconheceu a responsabilidade da Igreja num sistema em
que "as crianças sofreram abusos físicos e verbais, psicológicos e
espirituais".Os povos indígenas há muito
que exigem que o papa assuma a responsabilidade não apenas pelos abusos
cometidos por padres católicos e ordens religiosas individuais, mas pelo
apoio institucional da Igreja Católica à política de assimilação e à
justificativa religiosa do papado no século XV para a expansão colonial
europeia para espalhar o cristianismo.Entre
o final do século XIX e os anos 1990, cerca de 150.000 crianças
indígenas foram recrutadas à força para mais de 130 destas instituições.
Aí foram isolados das famílias, da língua e cultura, e foram
frequentemente vítimas de violência. Pelo menos 6.000 crianças morreram
nestas instituições.A descoberta em 2021
de mais de 1.300 sepulturas não identificadas perto destas escolas
provocou uma onda de choque no país, que está lentamente a abrir os
olhos para este passado, descrito como "genocídio cultural" por uma
comissão nacional de inquérito.O papa já pediu desculpa a uma delegação de nativos canadianos no Vaticano, em abril passado.