Canadá ao lado da Gronelândia e da Dinamarca e contra tarifas dos EUA
Hoje 17:47
— Lusa/AO Online
Numa
intervenção no segundo dia da 56.ª edição do Fórum de Davos, o
primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, sublinhou que “apoia
totalmente” o direito exclusivo da Gronelândia e da Dinamarca de
determinar o futuro da ilha no Ártico. “O
Canadá opõe-se veementemente às tarifas sobre a Gronelândia e apela para
negociações específicas para alcançar os nossos objetivos comuns de
segurança e prosperidade no Ártico”, disse.O
mundo está a sofrer “uma rutura” e não “uma transição”, com as grandes
potências a usarem “a integração económica como arma”, considerou
Carney, ao advertir que “a velha ordem [mundial] não vai voltar”. “Não
devemos lamentar isso. A nostalgia não é uma estratégia. Mas a partir
da fratura, podemos construir algo melhor, mais forte e mais justo”,
defendeu, garantindo que, pela sua parte, o Canadá está a “recalibrar as
suas relações”.Sem nunca se referir
explicitamente aos Estados Unidos, o primeiro-ministro do Canadá – país
que o Presidente norte-americano, Donald Trump, também já disse que
gostaria que passasse a fazer parte dos Estados Unidos – advertiu que,
“numa época de grande rivalidade entre as potências”, as “potências
médias devem agir em conjunto”, pois se não estiverem à mesa das
discussões estarão “no menu”.A edição
deste ano do Fórum de Davos, que junta anualmente as elites económica e
política mundiais, decorre num contexto de grande instabilidade a nível
global, e tem como figura de cartaz um dos principais protagonistas
deste ambiente de tensões, Donald Trump, que regressa presencialmente a
Davos seis anos depois, após ter marcado presença em 2020, durante o
primeiro mandato na Casa Branca (2017-2021). A intervenção de Trump está marcada para o início da tarde de quarta-feira.Trump
tem ameaçado anexar a Gronelândia, território dinamarquês sob a égide
da NATO, argumentando que a segurança e a vigilância da ilha ártica
foram negligenciadas nos últimos anos e que o controlo desta poderia
cair nas mãos da China ou da Rússia.A
tensão gerada na região pelas constantes ameaças de Trump levou vários
países europeus aliados a enviar militares para a Gronelândia para a
realização de exercícios militares.Em
resposta, no sábado, o Presidente norte-americano anunciou a imposição
de taxas comerciais adicionais, a partir de fevereiro, sobre os produtos
de oito nações europeias que se uniram em torno da Dinamarca, incluindo
França, Reino Unido e Alemanha, que seriam aumentadas para 25% a partir
de 01 de junho até que se chegue a um acordo para o controlo total da
Gronelândia.