Campanha presidencial de Le Pen investigada por financiamento ilegal
França
9 de jul. de 2024, 11:58
— Lusa/AO Online
Na sequência
de um relatório da Comissão Nacional das Contas de Campanha e das
Finanças Políticas (CNCCFP), foi aberto um inquérito judicial em 02 de
julho por "empréstimo de uma pessoa coletiva a um candidato numa
campanha eleitoral", aceitação por um candidato de um empréstimo de uma
pessoa coletiva, apropriação indevida de bens por pessoas que exercem um
cargo público, fraude cometida em detrimento de uma entidade pública",
falsificação e utilização de falsificações, indicou o Ministério
Público.A CNCCFP, responsável pelo
controlo da legalidade das despesas dos candidatos, que estão sujeitas a
um limite máximo e parte das quais são reembolsadas pelo Estado, tinha
enviado um relatório ao Ministério Público de Paris em 2023.As
investigações, confiadas à brigada financeira da polícia judiciária de
Paris, "prosseguem agora sob a direção de um juiz de instrução",
acrescentou o Ministério, que não forneceu mais pormenores sobre a
natureza das suspeitas.Em 2022, Marine Le
Pen investiu quase 11,5 milhões de euros na sua terceira
campanha presidencial, em que saiu derrotada na segunda volta das
eleições presidenciais por Emmanuel Macron. Em
meados de dezembro de 2022, a CNCCFP rejeitou despesas no valor de
316.182 euros para o "agrupamento e desagrupamento" ("flocage et
déflocage") de doze autocarros contratados no âmbito da campanha
da líder do RN, considerando que constituía uma despesa irregular, o que
levou a candidata do RN a pedir um recurso junto do Conselho
Constitucional antes de desistir.Em 2017, a
CNCCFP já tinha rejeitado as justificações para 873.576 euros das
despesas de campanha, 95% das quais consistiam em empréstimos contraídos
com a Frente Nacional (FN, agora RN) e o micropartido do seu pai
Jean-Marie Le Pen, mas a candidata não recorreu na altura.Em
junho, o Tribunal de Justiça confirmou definitivamente a condenação do
partido RN por sobrefaturação de materiais de campanha utilizados pelos
candidatos da Frente Nacional nas eleições legislativas de 2012, que
foram posteriormente reembolsados pelo Estado.Marine
Le Pen, que foi reeleita deputada na primeira volta das eleições
legislativas antecipadas de 30 de junho no departamento de
Hénin-Beaumont (Norte), deverá também ser julgada com mais 24 pessoas e
com o seu partido a partir de 30 de setembro por desvio de fundos
europeus relacionados com a renumeração de assistentes de deputados
europeus entre 2004 e 2016.